Informe do julgamento do Prêmio Roche em Saúde 2021

Informe do julgamento do Prêmio Roche em Saúde 2021

O trabalho colaborativo e transnacional, o poder das políticas públicas sanitária, o acesso à saúde em certos países latinoamericanos a partir da situação social, econômica e de segurança dessas nações, o compromisso dos profissionais da comunicação e, claro, a cobertura da COVID-19 foram alguns dos temas ressaltados pelos jurados durante o julgamento do Prêmio Roche de Jornalismo em Saúde 2021.

Pelo segundo ano consecutivo as sessões de avaliação e seleção dos melhores trabalhos de jornalismo em saúde foram realizadas de maneira virtual entre 10 e 13 de setembro de 2021, lideradas pela equipe de jurados nas três categorias deste ano – Jornalismo Escrito, Jornalismo Audiovisual e Cobertura Diária – e pelos assessores para as menções honrosas em Jornalismo de Soluções e Cobertura Jornalística da COVID-19, com a assessoria de um especialista em saúde.

Nesta nona edição da premiação, iniciativa da Roche América Latina com a Secretaria Técnica da Fundação Gabo, foram recebidos 611 trabalhos jornalísticos sobre saúde de 19 países da América Latina. Chegaram à etapa final do Prêmio 23 trabalhos na categoria Jornalismo Audiovisual, 37 em Jornalismo Escrito, 23 em Cobertura Diária, 15 trabalhos em menção honrosa em Jornalismo de Soluções e 20 em menção honrosa na Cobertura Jornalística da COVID-19.

Após cinco sessões de avaliação para chegar às decisões finais do Prêmio Roche 2021, compartilhamos aqui as reflexões do jurado sobre o conteúdo, qualidade, apuração, estilo e outros aspectos dos trabalhos vencedores, finalistas e com menção honrosa, que fortalecem o exercício jornalístico e a profissão.

Diferentes enfoques, um mesmo tema

Não é surpresa o fato de que a grande maioria dos trabalhos inscritos na nona edição do Prêmio Roche foram coberturas relacionadas com a COVID-19, levando em conta que os jurados receberam trabalhos publicados ou emitidos entre janeiro de 2019 e dezembro de 2020. Entretanto, o jurado ressaltou a variedade de enfoques apresentados nos trabalhos, assim como os formatos utilizados para falar sobre o período de maior incerteza da pandemia.

Os trabalhos finalistas na categoria Jornalismo Audiovisual (‘No epicentro’, ‘COVID-19: 100 días de la pandemia del coronavirus’ e ‘Los derechos no se aíslan’) são uma amostra dessa amplitude de ângulos e formatos a favor da informação e da proximidade com o público.

Tamoa Calzadilla, jurada da categoria, referiu-se a ‘No epicentro’, da Agência Lupa, do Brasil, como portador de uma “fartura de tecnologia”, uma mostra de “tudo o que os jornalistas podem fazer quando se juntam, planejam e buscam os melhores em cada área e quando sabem o ‘como fazer’ tecnológico”.

Em relação à proximidade com a tecnologia, tão necessária em uma cobertura como a da COVID-19, Caio Cavechini – jurado da categoria – catalogou ‘No epicentro’ como um trabalho “que se aproxima do público de uma forma muito clara e criativa”.

Tanto o documentarista brasileiro como a jornalista venezuelana concordam em destacar o trabalho apresentado pela equipe do jornal El Comercio, ‘COVID-19: 100 días de la pandemia del coronavirus’, para resgatar a importância do trabalho de reportagem na rua, especialmente em uma conjuntura tão arriscada como a cobertura do coronavírus.

“Neste trabalho (os repórteres) foram para a rua desde o primeiro dia, desde o início do desabastecimento, quando as pessoas estavam desesperadas para comprar coisas. Acho que foi um investimento do meio e dos jornalistas, uma decisão corajosa (…) É um documentário feito para o público”, comentou Caio Cavechini.

“Dar este tipo de reconhecimento a este trabalho é uma homenagem a esses repórteres que, assim como os médicos e os policiais, não duvidaram em prestar seus serviços e até a morrer, e tampouco duvidaram em estar na rua desde o primeiro dia”, disse Tamoa Calzadilla.

Ao começar a busca por um trabalho com o equilíbrio adequado entre dados/informação e empatia/emoção para encontrar o vencedor da categoria Jornalismo Audiovisual, o jurado refletiu sobre o conteúdo desses dois trabalhos e sobre as vantagens e desvantagens de cada um em relação a seus conteúdos, sendo trabalhos com características muito opostas aos que buscavam os especialistas deste ano.

Pensando nessas reflexões, a diretora de El Detector destacou o interesse dos autores de ‘COVID-19: 100 días de la pandemia del coronavirus’ em incluir na história de seu país os dias de improvisação do governo e o efeito disso na população. “Este trabalho reflete a sociedade peruana (…) É muito emotivo sem cair na ‘sensividade’ ainda que esta pandemia tenha ‘quebrado’ a todos e nos afetado por inteiro, e creio que este trabalho reflete isso”, disse.

Cavechini comentou que “as vezes alguns trabalhos são muito bons em informação, mas não comovem, não geram empatia, enquanto outros são exclusivamente empáticos, mas faltam contexto, e penso que estes trabalhos que estamos avaliando são fortes nos dois aspectos”.

Daniel Nogueira, assessor médico da nona edição do prêmio, desempatou a avaliação entre estes dois trabalhos, que tiveram a maior pontuação da categoria, indicando que ‘No epicentro’ o impactou pela “aplicação da tecnologia para conscientizar as pessoas” e o catalogou como um aporte brilhante para mostrar a pandemia para a população, mas concordou com os jurados em selecionar como vencedor ‘COVID-19: 100 días de la pandemia del coronavirus’: “É um excelente trabalho sobre os primeiros três meses nos quais havia mais incertezas que certezas”, comentou.

Também foi selecionado para a final da categoria Jornalismo Audiovisual ‘Los derechos no se aíslan’, publicada por Chicas Poderosas, da Argentina, na qual se apresentou outro olhar sobre a pandemia desde os efeitos dela em mulheres e na comunidade LGBTTBIQ+ para o acesso à saúde.

Caio Cavechini escolheu o trabalho como finalista “por experimentar uma narrativa diversa, audiovisual, com podcast, vídeos na vertical, e texto” e em geral pela criatividade com que apresenta um tema complexo e, além disso, o sugeriu como menção honrosa em Acesso à Saúde, o que foi aceito pelos jurados. Dessa forma, o trabalho argentino é o primeiro em receber ambos prêmios na história do Premio Roche. Com essa decisão, o jurado quis ressaltar ainda mais a importância do trabalho que cobriu histórias de populações vulneráveis em meio a uma conjuntura que criou vulneráveis no mundo todo.

“É uma forma bonita de dizer que trabalhos como esses devem ser visibilizados e que estamos reconhecendo a importância deste tema”; concluiu Tamoa Calzadilla.

“Sangue novo do jornalismo”

A seleção de finalistas deste ano em Jornalismo Escrito tem uma particularidade, identificaram os membros do jurado desta categoria: a de que todos os trabalhos jornalísticos escolhidos provêm de meios independentes digitais. “São todos meios muito jovens. Estamos premiando o sangue novo do jornalismo”, disse Sabrina Duque, jurada da categoria.

Além de destacar essa característica dos finalistas ‘Así se oculta la muerte por la COVID-19 en Nicaragua’, ‘Dependências – fé, poder e dinheiro no tratamento do uso abusivo de drogas no Nordeste do Brasil’, da menção honrosa ‘El consuelo de un país en crisis recae en sus estudiantes de psicología’, e do vencedor ‘Huir Migrar Parir’, o jurado ressaltou a valentia dos jornalistas autores desses trabalhos e a originalidade no enfoque de suas coberturas jornalísticas.

“Tem que ter muito amor pelo jornalismo para arriscar sua vida por um trabalho”, disse Sabrina Duque sobre os jornalistas nicaraguenses de Divergentes – um dos meios que publicou ‘Así se oculta la muerte por la COVID-19 en Nicaragua’ -, exilados por ameaças contra a segurança de liberdade deles.

Bernardo Esteves, por sua vez, jurado desta categoria, catalogou este trabalho como um exemplo da beleza do jornalismo. “(Tem) um aspecto necessário e relevante do jornalismo: contar histórias que os poderosos querem esconder”, afirmou.

Algo que o jurado levou muito em conta nesta categoria na hora de avaliar foi a originalidade dos trabalhos jornalísticos, não apenas no tema coberto, mas na forma de fazer a apuração e a apresentação da informação ao público.

‘Huir Migrar Parir’ foi um exemplo disso para os avaliadores, que também destacaram o aspecto colaborativo e transnacional deste trabalho, elaborado pelos jornalistas de México, Equador, Colômbia e Venezuela para Distintas Latitudes, GK, Mutante e La Vida de Nos. “É um tema ambicioso, muito bem escrito, com alta qualidade, original (…) que além de tudo gruda na mente e tem transcendência”, comentou Sabrina Duque.

Daniel Nogueira, assessor médico da nona edição do Prêmio Roche, ressaltou o fato de que nesta categoria foram selecionados temas além da COVID-19.

“O trabalho ‘Huir Migrar Parir’ é vencedor porque revela uma situação realmente terrível em um país no qual no geral as coisas estão funcionando mal. Que alguém tenha que migrar grávida para ter o filho em outro lugar para poder dar outro futuro à criança é algo realmente muito comovedor. O relato te prende”, disse o especialista em saúde.

Se bem não faltou a COVID-19 na seleção, para Sabrina Duque, foram destacados temas “pandêmicos” que não haviam sido vistos antes, fazendo referência não apenas ao trabalho da Nicarágua, mas também ao que ganhou a menção honrosa em Acesso à Saúde. ‘El consuelo de un país en crisis recae en sus estudiantes de psicología’, de GK no Equador, foi classificado pelo assessor médico Nogueira como um reconhecimento a tantos anônimos que trabalham na pandemia.

“É um tema pandêmico com um enfoque que ninguém havia adotado e que é excelente: os mais frágeis lutando na linha de frente, algo a que não estão preparados”, refletiu Sabrina Duque.

“Gosto da originalidade e tudo que mostra os sistemas de saúde pública, porque isso acontece no Equador, mas em quantos outros países da América Latina não estará ocorrendo algo exatamente igual ou talvez pior. (O trabalho) ilumina algo que outros não haviam se preocupado em olhar”, disse Bernardo Esteves.

O equilíbrio entre o pandêmico e outros temas de saúde é alcançado nesta categoria no trabalho ‘Dependências – fé, poder e dinheiro no tratamento do uso abusivo de drogas no Nordeste do Brasil’, publicado pela Agência Retruco, do Brasil.

Para o jurado, este é um trabalho jornalístico bem escrito e com muito virtuosismo ao conseguir a união entre dados e qualidade narrativa, conseguindo um texto com tom local, mas que permite refletir sobre o tema proposto e seu efeito em outros países da América Latina.

“Estes trabalhos selecionados são reflexo da produção jornalística de qualidade que vimos durante a pandemia”, concluiu Bernardo Esteves.

Coberturas valentes

Cinco visões sobre a conjuntura da COVID-19 foram selecionadas como os melhores trabalhos na categoria Cobertura Diária nesta nona edição do Premio Roche pelo jurado, que, além disso, destacou o esforço dos autores em encontrar novos ângulos, fontes e depoimentos sobre a pandemia, assim como a valentia e a perseverança em fazer o trabalho de jornalista em nações com contextos políticos que acentuam o risco sanitário  e pessoal desses profissionais.

Desta vez, além dos 2 trabalhos finalistas (‘Especial Covid-19’ e ‘”Se van a morir a sus casas porque no tenemos camas”: la desesperada situación que se vive en la región peruana de Loreto por el covid-19’) e o vencedor (‘Epidemia’), o jurado decidiu entregar duas menções honrosas em Acesso à Saúde (‘Morir en Nicaragua en tiempos de coronavirus’ y ‘Coronavirus en Venezuela’) para incentivar e louvar a difícil, mas rigorosa e excelente cobertura feita na Nicarágua e na Venezuela, onde a pandemia aumentou os problemas políticos, sociais e econômicos pelos quais passam essas nações.

Carol Pires, jurada da Cobertura Diária, destacou a valentia dos jornalistas autores destes dois últimos trabalhos, que seguiram trabalhando em meio ao risco político e o desafio de seguir fazendo a cobertura com esforço triplicado.

Mas além das coberturas valentes dos jornalistas latinoamericanos, em meio aos desafios criados pela pandemia e outros que já existam na maioria dos países da região, o grupo de avaliadores destacou a capacidade dessas equipes jornalísticas de encontrarem a forma de contar os efeitos da COVID-19 por meio de diferentes histórias, lugares, ângulos e formatos.

Segundo o jurado, esse é precisamente o formato do trabalho escolhido como vencedor, ‘Epidemia’, de 37 Graus e Folha de S.Paulo, que o destacou entre o grupo de histórias que chegaram à final da premiação. “Há muita gente fazendo podcast com boa vontade, mas no momento da execução e da produção nem todos sabem fazer. Este tem a música, o tom, as vozes perfeitas e também não está focado apenas na COVID, mas também percorre todos os problemas de saúde no Brasil. Ele tem uma execução perfeita”, disse Carol Pires.

“Entregar o prêmio a este trabalho é um incentivo para que os meios de comunicação invistam neste tipo de produtos, que são mais caros, mas têm maior qualidade”, agregou.

De um trabalho que conta com o respaldo de um grande meio de comunicação, o jurado de Cobertura Diária passou a um produto feito por um meio independente e colaborativo: ‘Especial Covid-19’, da Agencia Ocote, da Guatemala.

“Ele tem um olhar inovador, mas também é humano e trabalha com diferentes estilos jornalísticos”, disse Laura Weffer, jurada da categoria. As pessoas que trabalham em meios independentes ou não convencionais sabem como é difícil fazer um pitch e que distintas organizações olhem para elas. Entretanto, (esta equipe) consegue isso. É possível ver a diversidade de alianças criadas para conseguir cada um desses trabalhos e isso é muito meritório”, adicionou.

A jornalista venezuelana também ressaltou a sensibilidade, proximidade, empatia e olhar sobre a pandemia do segundo trabalho finalista, publicado na BBC Mundo: ‘”Se van a morir a sus casas porque no tenemos camas”: la desesperada situación que se vive en la región peruana de Loreto por el covid-19’, feita em um território pouco explorado, cuja localização fazia o acesso a fontes, pessoas e fatos ser um desafio.

“Um ato de responsabilidade”

No último dia de julgamento do Prêmio Roche 2021 foram escolhidos os dois trabalhos vencedores das menções honrosas especiais da premiação: Cobertura Jornalística da COVID-19 e Jornalismo de Soluções.

Os trabalhos jornalísticos que ganharam esses reconhecimentos enfocaram na COVID-19 a partir de olhares muito distantes, mas igualmente interessantes sobre a pandemia e seus efeitos em setores diferentes da população.

Para Federico Kukso, assessor para a menção honrosa de Cobertura Jornalística da COVID-19, a pandemia colocou nas mãos dos jornalistas uma função que vai além do mero fato de entregar informação.

“Estamos em uma pandemia e a comunicação deve ser um ato de responsabilidade. Não é só uma questão de encher espaços televisivos ou meios, mas de que disso também dependem a vida e a morte das pessoas. Por isso esses prêmios são importantes, como também o é o jornalismo especializado em ciência e saúde”, comentou o jornalista científico.

Em sua avaliação, Kukso revisou de perto a linguagem usada nos trabalhos, especialmente agora que tantos jornalistas não especializados em ciência ou saúde estão cobrindo este tipo de temas. “Confundiram termos entre vírus e bactérias, as fases das vacinas (…) Eu vi um abuso de referências bélicas – combate, luta, vencedor -, termos que não são recomendados na hora de falar sobre doenças, porque fazem ver os mortos como perdedores”, explicou o especialista.

Seguindo essa linha de seleção, Kukso chegou à ‘Sequelas da Covid-19’, vencedora da menção honrosa em Cobertura Jornalística da COVID-19, publicada em VivaBem – UOL. Trata-se de uma série de artigos que recolhe depoimentos de pessoas que sofreram a doença e como elas convivem com as sequelas. “Tem um aspecto emocional importante”, disse Kukso. “Além de narrar a história da vida, também vai além e mostra os efeitos do que se chama long COVID, seus efeitos a longo prazo no corpo e na maneira de viver das pessoas.”

Sobre isso, Daniel Nogueira, assessor médico da nona edição, destacou o feito da equipe jornalística em encontrar outros atores – além do pessoal de saúde – para falar sobre COVID-19 e comemorou o fato de que o trabalho trata as repercussões a curto, médio e longo prazo da doença, para gerar um compromisso dos sistemas de saúde com um atendimento digno à população ante a eventualidade de outras pandemias.

Durante a sessão de julgamento, Kukso destacou o aspecto inovador do trabalho selecionado e o trabalho de apuração realizado, que encontrou esses casos e os contou de uma maneira que se pudesse gerar empatia no público sem focar unicamente nos números, que podem ser frios.

“Aqui há um bom trabalho de escrita, boa qualidade narrativa, bons casos e bom trabalho ao falar da doença sem que o vírus seja o protagonista”, disse Federico Kukso.

Do outro lado do espectro desta cobertura está o trabalho vencedor da menção honrosa em Jornalismo de Soluções: ‘Indústria da saúde no Ceará’, publicado por O Povo Online (Brasil), e escolhido pelo assessor desta menção, Javier Drovetto.

Segundo o jornalista, editor geral de RED/ACCIÓN, não é fácil identificar trabalhos jornalísticos que realmente desenvolvam sua cobertura focando no jornalismo de soluções, já que “é um enfoque novo” que tem “pouco espaço dentro das redações, poucos jornalistas o abraçam, é bastante rigoroso e se parece em um ponto ao jornalismo investigativo”, razão pela qual “não é fácil colocar rapidamente em prática”.

Drovetto esclareceu que “o jornalismo de soluções se baseia muito na evidência de resultados e não na esperança de resultados favoráveis”, e que o trabalho selecionado nesta menção honrosa está enfocado em apurar a resposta a um problema.

“Desde o ponto de partida é uma apuração de respostas urgentes que a indústria pode articular contra o relógio no Estado do Ceará, apenas quatro meses depois do início da pandemia”, disse. “Este é o ponto que destaco deste trabalho, a ideia de mudar o eixo do debate, que parte das respostas urgentes da indústria da crise sanitária”.

O assessor para a menção honrosa em Jornalismo de Soluções também se referiu ao desafio empreendido pela equipe jornalística ao tocar tantos aspectos neste trabalho de 3 partes. “Vai da economia à saúde e ao desenvolvimento de tecnologia aplicada, também ao atendimento de saúde e a definição de políticas publicas que possam servir de bom exemplo e boas práticas a nível regional, porque temos os mesmos problemas em toda a América Latina em relação a isso”, comentou.

Por sua vez, Daniel Nogueira, assessor médico da nona edição, catalogou o trabalho selecionado como um “trampolim que de alguma maneira permite uma projeção para dar soluções em temas de saúde, investimento e trabalho. Achei muito acessível em relação à terminologia”, disse o especialista em saúde.

No fim, Javier Drovetto também se referiu, em sua avaliação de “Indústria da saúde no Ceará”, à qualidade narrativa da reportagem, classificando-a como um trabalho claro, simples, direto, com pluralidade de vozes, entre fontes do setor industrial, empreendedores e tecnólogos, e as fontes indispensáveis nesta cobertura de saúde, como epidemiologistas e funcionários da área da saúde do Estado do Ceará.

Perfis dos jurados y assessores para a menção honrosa

Sabrina Duque (Equador) – Jornalismo Escrito: jornalista e tradutora equatoriana. Vencedora da bolsa Michael Jacobs de crônica de viagens em 2018. Suas histórias foram traduzidas para português, italiano e inglês. Em 2015 foi finalista do Prêmio Gabo, na categoria texto, com o perfil ‘Vasco Pimentel: el oidor’. É colunista no eldiario.es.

Bernardo Esteves (Brasil) – Jornalismo Escrito: jornalista especializado em ciência e meio ambiente e pesquisador de estudos sociais, ciências e tecnologia. Repórter da revista Piauí, apresentador do podcast A Terra é Redonda e professor de jornalismo científico no Amerek, curso de especialização em comunicação publica da ciência da UFMG. É autor de “Domingo é Dia de Ciência”, um suplemento dos anos do pós-guerra (Azougue / Abipti, 2006).

Caio Cavechini (Brasil) – Jornalismo Audiovisual: jornalista pela ECA-USP e realizador de documentários. Foi repórter e editor executivo do Profissão Repórter, programa semanal da TV Globo. Como documentarista, dirigiu “Carne, Osso”, trabalho exibido em diversos festivais de cinema e que fala sobre o trabalho em matadouros; recebeu menção honrosa em DOK Leipzig (Alemanha) e o prêmio Vladimir Herzog em 2012. Além disso, o longa-metragem “Jaci, sete pecados de uma obra amazônica” recebeu o Prêmio Gabo, entre outros trabalhos audiovisuais.

Tamoa Calzadilla (Venezuela) – Jornalismo Audiovisual: dirige El Detector, no canal Univision Noticias, a primeira plataforma de checagem de dados em espanhol criada nos Estados Unidos, certificada pela International Fact-Checking Network (IFCN). Também dirige a seção de Opinião do Univision Noticias. Como jornalista investigadora foi finalista do Prêmio Pulitzer 2021 pelo seu trabalho colaborativo com o International Consortium of Investigative Journalists (ICIJ). Em 2014 liderou a equipe que levou o primeiro lugar do Prêmio Gabo e também do Prêmio Roche.

Laura Weffer (Venezuela) – Cobertura Diária: cofundadora de Efecto Cocuyo. Defensora das histórias e da capacidade permanente de espanto. Repórter e jornalista de investigação. Vencedora de prêmios nacionais e internacionais, incluindo o Prêmio Gabo, duas vezes, e uma vez o Prêmio Roche, por trabalhos coletivos.

Carol Pires (Brasil) – Cobertura Diária: jornalista e roteirista brasileira, mestra em estudos latino-americanos pela Universidade de Columbia em Nova York. Foi repórter da revista piauí e do jornal Estadão, no Brasil. Atualmente colabora para a Folha de S. Paulo e o The New York Times.

Federico Kukso (Argentina) – Cobertura Jornalística da COVID-19: jornalista científico independente com mais de 20 anos na cobertura de ciência, tecnologia e cultura. Membro da comissão diretora da World Federation of Science Journalists (Federação Mundial de Jornalistas Científicos). Especializado em história da ciência na Universidade de Harvard. Em 2015 foi bolsista do Knight Science Journalism Program do MIT. Escreve reportagens longas para meios como Agencia Sinc (Espanha), Tec Review (México), Le Monde Diplomatique, elDiarioAr (Argentina), La Nación (Argentina), entre outros.

Javier Drovetto (Argentina) – Jornalismo de Soluções: jornalista e docente. Atualmente é editor geral de RED/ACCIÓN. Desde 2011 é professor de “Produção de conteúdos jornalísticos” em ETER. Antes, trabalhou por 15 anos na redação do jornal Clarín e três na do jornal La Nación. É uma das referencias em jornalismo de soluções na América Latina e trabalha o enfoque tanto nos formatos de texto ou reportagem como em vídeo, podcast e newsletters, entre outros.

Daniel Nogueira (Uruguai) – assessor médico: médico, especialista em Medicina Familiar e Comunitária, também é comunicador. Jornalista em Buen Día, programa matinal do Canal 4 de Montevidéu e dá assessoria médica e em comunicação na Pulso, empresa de serviços de acompanhantes de saúde. Foi correspondente da CNN en Español e participou de programas de televisão de saúde.

Sobre o Prêmio Roche

O Prêmio Roche de Jornalismo em Saúde é uma iniciativa da Roche América Latina e da Secretaria Técnica da Fundação Gabo, que busca reconhecer a excelência e fomentar o trabalho jornalístico de qualidade na cobertura de temas de saúde na América Latina.

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