Pular para o conteúdo

Noticías

Lições das vencedoras do Prêmio Roche sobre o jornalismo de saúde pós pandemia

junho 08, 2022
Lições das vencedoras do Prêmio Roche sobre o jornalismo de saúde pós pandemia

O efeito da COVID-19 no jornalismo é inegável. De uma hora para outra, os profissionais da comunicação mudaram sua forma de trabalhar, alguns assumiram a cobertura de temas de saúde pela primeira vez, tiveram que entender um tema complexo e de alta importância e divulgá-lo em uma linguagem comum para o público. Ao mesmo tempo, eles tiveram que proteger sua saúde e acalmar os próprios medos quando pouco se sabia sobre a doença.

Passado o auge da pandemia e tendo assimilado a COVID-19 ao dia a dia, consultamos Liz Gascón e Patricia Marcano, as atuais vencedoras do Prêmio Roche de Jornalismo em Saúde nas categorias Jornalismo Sonoro e Jornalismo Digital, sobre suas reflexões e lições aprendidas com a cobertura do tema, aplicadas agora no desenvolvimento de trabalhos jornalísticos sobre outros temas de ciência e saúde.

Liz Gascón, vencedor do Prêmio Roche de Jornalismo em Saúde 2020 na categoria Jornalismo Sonoro
Liz Gascón, vencedora do Prêmio Roche 2020 – categoria Jornalismo Sonoro
Patricia Alejandra Marcano Meza, vencedor do Prêmio Roche 2020 - Jornalismo Digital.
Patricia Marcano, vencedora do Prêmio Roche 2020 – cateogoria Jornalismo Digital.

 

 

 

 

 

 

 

 

Inscreva-se no Prêmio Roche 2022 

Seis práticas que saíram da pandemia

Abaixo segue um compilado de boas práticas na cobertura de saúde e ciência, geradas no exercício jornalístico durante a pandemia, de acordo com as jornalistas Liz Gascón e Patricia Marcano:

1. Revisar com atenção os artigos científicos e os ensaios clínicos, já que nem todos tem a mesma qualidade ou relevância. Deve-se levar em conta a fonte da informação, se a revista científica é reconhecida ou não, o tamanho da amostra, a metodologia, se é um estudo in vitro ou em animais, entre outros detalhes.

2. Procurar a fonte mais especializada. No caso do coronavirus, foi notória a importância de se falar com virologistas, infectologistas, epidemiologistas e especialistas de outras áreas relacionadas com a doença (cardiologistas, pneumologistas, psiquiatras) para assegurar a qualidade e a veracidade da informação.

3. Fazer coberturas enfocadas no jornalismo de soluções, para dar ferramentas para o público e que possam dar respostas ou experiências que funcionaram em outras partes em meio a uma pandemia, e fazer uma cobertura além da desesperança.

4. Dar contexto e evitar a estigmatizarão ao citar discursos de funcionários públicos, especialmente quando consistem em acusações contra cidadãos pelo aumento dos contágios.

5. Não abandonar as pessoas. Falar com as pessoas sobre como vivem com a doença, como vivem depois da doença e quais efeitos que a infecção deixou nelas. É essa a maneira de aterrizar no dia a dia a informação dada pelas revistas científicas e os especialistas. Esses testemunhos levam a entender as diferentes formas de se viver uma mesma doença, ajudam o público a criar empatia e a se identificar com o outro.

6. Recorrer aos “infocidadãos”, líderes comunitários, ativistas de direitos humanos ou habitantes de diferentes comunidades que tenham sido treinados para a verificação e difusão das notícias em suas comunidades (artifício utilizado pelo El Pitazo e outros meios de comunicação da Venezuela), na busca por histórias, testemunhos e temas relacionados à saúde pública, especialmente quando há restrições do jornalista para ir até o lugar dos fatos.

Como manter a relevância do jornalismo de saúde e ciência?

As vencedoras da oitava edição do Prêmio Roche também mencionaram a notoriedade alcançada pelo jornalismo de saúde e ciência por causa da cobertura da COVID-19, uma característica que para estas jornalistas venezuelanas não se pode perder passado o ápice da pandemia. Por isso, elas compartilham algumas dicas para alcançar esse objetivo:

– Publicar conteúdos de qualidade

“Não nos deixemos ser pegos pelo breaking news, pelo que dá mais cliques, mas sim pela informação escrita e construída com muita qualidade”, explicou Patricia Marcano, dizendo que é necessário fazer o público entender como uma doença pode afetar uma vida.

– Procurar histórias “invisibilizadas”

Liz Gascón convida a se desenvolver mais coberturas sobre saúde mental e serviços de saúde pública. “Que estas histórias estejam ao alcance das pessoas e sejam entendidas por todos os públicos e publicadas em diferentes plataformas”, disse.

– Manter uma periodicidade nas publicações

A coautora de ‘La mala leche de los CLAP’ propõe haver uma coluna semanal fixa no impresso, rádio ou televisão “para criar o hábito e que as pessoas saiba em qual determinado dia vão poder consultar a informação que vai ser útil para elas”.

Sobre o Prêmio Roche

O Prêmio Roche de Jornalismo em Saúde é uma iniciativa da Roche América Latina com a Secretaria Técnica da Fundação Gabo, que busca premiar a excelência e estimular a cobertura jornalística de qualidade sobre temas de saúde e ciência na América Latina, integrando os olhares sanitário, econômico, político, social, entre outras áreas de investigação no jornalismo.

Para mais informação ou para tirar dúvidas sobre a décima edição do Prêmio Roche, escreva para o email: premioroche@fundaciongabo.org

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Feito com por