#ComDados: Sim! Você pode doar sangue após ser vacinado contra a COVID-19

Imagem para nota de desinformação de 9 de junho.

Notícias falsas sobre esse assunto circulam em ao menos quatro plataformas e quatro idiomas.

Por: Cristina Tardáguila

Merecem atenção imediata as notícias falsas que reúnem três ingredientes: estão espalhadas por diversas redes sociais, tem versões em várias línguas e podem colocar em risco a vida dos cidadãos.

E é por isso que, nos últimos dias, pelo menos quatro equipes de verificadores de dados publicaram artigos detalhados em que classificam como falsas as “notícias” de que a Cruz Vermelha americana decidiu deixar de aceitar doações de sangue de pessoas que já foram vacinadas contra COVID-19.

Isso não é verdade e, considerando o número crescente de pessoas vacinadas no mundo, trata-se de uma mentira extremamente séria.

De acordo com a Cruz Vermelha, qualquer adulto vacinado contra COVID-19 que estiver saudável pode doar sangue. É importante, no entanto, que informe o nome do fabricante da vacina que tomou antes da coleta de sangue. Com esse dado, os hematologistas poderão determinar se vão aproveitar ou não todos os componentes do sangue doado.

Seguindo as determinações do Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos, a Cruz Vermelha também esclarece que, ao doar sangue, o indivíduo não perde a imunização obtida com a vacina e que tampouco distribui anticorpos com quem vai receber o sangue. Ou seja, não há interferência entre o ato de doar e o de se vacinar. Portanto, é vital fazer as duas coisas: se imunizar e continuar doando sangue.

O problema é que, apesar dos esforços da Cruz Vermelha e do FDA para explicar esses pontos, desde o dia 30 de abril, viralizam em várias redes sociais e aplicativos de mensagens uma série de boatos relacionados a esse assunto.

Os checadores do PolitiFact encontraram pelo menos uma versão dessa mentira sobre vacinação e doação circulando, em inglês, no TikTok. Os taiwaneses do Taiwan FactCheck Center viram essa desinformação, em chinês tradicional, nos bate-papos do Telegram. Os espanhóis da Newtral identificaram-na em postagens em espanhol no Facebook e os brasileiros do Estadão Verifica, nas correntes de WhatsApp, sempre em português.

Descobriu-se então que esse boato perigoso viraliza em pelo menos quatro idiomas, em pelo menos quatro plataformas de comunicação e, é claro, que pode afetar tanto o avanço dos programas de vacinação quanto o sistema global de doação de sangue.

Desequilíbrios em um ou em ambos os processos podem levar ao aumento do número de casos de COVID-19 e também à falta de sangue para o tratamento de pessoas que sofrem de muitas outras doenças.

E como surge uma desinformação tão séria assim? Neste caso específico, a mentira pode ser uma extrapolação de uma dúvida real – e importante.

Em 11 de março, el Stephen King disse em sua conta no Twitter que, em poucos dias, receberia a segunda dose da vacina da Moderna. E lançou uma pergunta que muitos de seus seguidores também tinham: “Se eu doar sangue uma ou duas semanas depois (da vacina), a pessoa que receber meu litro de sangue A negativo receberá algum tipo de reforço de imunidade?”

Este conteúdo foi compartilhado pelo menos 2.400 vezes nesta plataforma e possivelmente chamou a atenção do movimento antivacinas. Havia nessa dúvida um bom espaço para atacar os programas de imunização.

Na época, os verificadores da Maldita.es, na Espanha, publicaram um ‘explicador’. Este formato de texto, cada vez mais utilizado pels fact-checkers, visa a esclarecer dúvidas importantes e reais para evitar que a desinformação cresça. Os explicadores não carregam as etiquetas que comumente vemos no trabalho dos verificadores de fatos. São textos que fornecem dados claros, também com base em fontes e bancos de dados oficiais, antes que os boatos se tornem virais.

No ‘explicador’ de março, a Maldita Ciência entrevistou alguns especialistas e disse que o usual na doação de sangue é não fazer a transfusão do material exatamente como sai do doador. Em cada doação, plasma, hemácias e plaquetas são separados, e cada uma dessas partes é usada separadamente, após análises detalhadas.

Para levar em consideração

– Preste atenção extra e imediata às notícias falsas que estão em várias redes sociais, em muitos idiomas e que colocam a saúde e / ou a vida em risco.

– Consulte os três bancos de dados dos fact-checkers para lidar com a desinformação sobre COVID-19. São eles: CoronaVirusFacts Alliance Database (inglês), Latam Coronavirus (espanhol) e Corona Verificado (português).

– Lembre-se de que o movimento antivacinas muitas vezes transforma dúvidas reais e importantes em conteúdo falso. Os explicadores podem ser muito eficientes nesse aspecto.

Sobre o Prêmio Roche

O Prêmio Roche de Jornalismo em Saúde é uma iniciativa da Roche América Latina em parceria com a Secretaria Técnica da Fundação Gabo, que busca reconhecer a excelência e estimular a cobertura jornalística de qualidade relacionada à saúde na América Latina.

Em 2021 os melhores trabalhos serão reconhecidos nas categorias Jornalismo Escrito, Jornalismo Audiovisual e Cobertura Diária. A pessoa ou equipe jornalística vencedora de cada categoria (no caso de um trabalho coletivo, a equipe deverá escolher um representante) receberá uma bolsa de estudo de até 5.000 dólares. Em cada categoria será dada uma menção honrosa para o tema de acesso à saúde; uma menção honrosa também será concedida em jornalismo de soluções e outra em cobertura jornalística da COVID-19.

Tem até 9 de junho de 2021 para registrar seu trabalho. Conheça as bases do Prêmio aqui. Seu trabalho merece ser reconhecido!

 

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