Pular para o conteúdo

Noticías

A saúde é narrada a partir dos territórios: estes são os finalistas do Prêmio Roche 2026

A saúde é narrada a partir dos territórios: estes são os finalistas do Prêmio Roche 2026

setembro 08, 2026
  • Os 12 finalistas foram escolhidos entre uma pré-seleção de 73 trabalhos. Sete deles, além disso, foram produzidos por equipes formadas exclusivamente por mulheres.
  • Pela primeira vez, o Prêmio contou com uma especialista em economia da saúde, saúde pública e sistemas de saúde, que acompanhou os processos de julgamento final das quatro categorias.
  • Os trabalhos vencedores serão anunciados no próximo dia 7 de outubro, em uma cerimônia de premiação durante o Roche Press Day 2026, em San José, Costa Rica.

A Roche América Latina e a Fundação Gabo anunciam os 12 finalistas do Prêmio Roche de Jornalismo em Saúde 2026 que, pela primeira vez em suas 14 edições, convocou simultaneamente suas quatro categorias — Jornalismo escrito, Jornalismo audiovisual, Jornalismo digital e Jornalismo sonoro — com o objetivo de ampliar as possibilidades de participação.

O concurso recebeu 699 trabalhos de autores da América Latina, Espanha e Portugal, publicados ou veiculados originalmente em espanhol ou português durante 2025. O processo de deliberação começou após o encerramento das inscrições, abertas entre 25 de março e 11 de maio de 2026, com uma rodada técnica na qual a Fundação Gabo verificou se os trabalhos inscritos cumpriam as regras do Prêmio.

Posteriormente, um grupo de 11 jornalistas da América Latina, Espanha e Portugal pré-selecionou 73 trabalhos, que passaram às mãos dos 8 profissionais responsáveis pela avaliação final, dois por categoria. Eles se reuniram virtualmente entre os dias 11 e 14 de agosto de 2026 para discutir e avaliar os trabalhos junto ao assessor médico desta edição, o professor e divulgador científico Joan Carles March Cerdà e, pela primeira vez no Prêmio Roche, uma especialista em economia da saúde, saúde pública e sistemas de saúde, Carmen Eugenia Dávila Guerrero, com mais de 25 anos de experiência no setor.

Um olhar descentralizado

Da saúde mental em comunidades indígenas e áreas afetadas pelo conflito armado na Colômbia à corrupção hospitalar em diferentes regiões de Cuba e às consequências da zika no Nordeste do Brasil, dez anos após a epidemia, estes 12 trabalhos finalistas mostram que uma parte significativa do jornalismo em saúde mais potente da região está sendo feita longe das capitais, em lugares onde os problemas de saúde investigados adquirem suas dimensões mais concretas.

Os selecionados desta edição são provenientes de nove países, uma diversidade geográfica que contribui para um olhar descentralizado e permite ampliar a conversa sobre as decisões políticas, as condições sociais, as falhas institucionais e as desigualdades que determinam como as pessoas na Ibero-América vivem, enfrentam e têm acesso à saúde.

Esses trabalhos, que colocam o foco em São Mateus (Brasil), La Rioja (Argentina), Guainía (Colômbia), Holguín (Cuba), Guadalajara (Espanha), Tlaltetela (México) ou Sololá (Guatemala), também evidenciam as diferentes formas encontradas pelos jornalistas da nossa região para investigar e contar os problemas de saúde. O resultado são investigações que reafirmam a importância de um jornalismo em saúde que combine a reportagem em campo com a análise de dados, a investigação documental e científica, as estatísticas oficiais e a entrevista rigorosa, não apenas para transformar evidências em conhecimento acessível e confiável para a população, mas também para ir além da denúncia pontual e propor possíveis soluções para os problemas apresentados.

As mulheres como contadoras e protagonistas

A participação das mulheres jornalistas também se destaca este ano, com 51 finalistas e sete dos 12 trabalhos selecionados realizados por equipes exclusivamente femininas. Esse número reforça a tendência histórica do concurso de receber mais inscrições de mulheres do que de homens, somando, neste ano, 435 trabalhos inscritos por autoras, o equivalente a 62% do total.

As mulheres também aparecem como protagonistas de inúmeras histórias, a maioria sobre direitos reprodutivos e sexuais e as disputas sociais e políticas que as atravessam: meninas e famílias afetadas pela gravidez infantil no Brasil, mulheres wayuu que denunciam barreiras e violência no atendimento obstétrico na fronteira entre Colômbia e Venezuela e as barreiras estruturais enfrentadas por muitas mulheres na Argentina e no mundo para exercer a amamentação.

Em conjunto, essas histórias demonstram que falar de saúde também implica falar de gênero e das condições sociais, econômicas, culturais e institucionais que atravessam a vida das pessoas e condicionam suas possibilidades de receber atendimento, exercer seus direitos e cuidar de si mesmas e de outras pessoas.

Os vencedores do 14º Prêmio Roche de Jornalismo em Saúde serão anunciados no próximo dia 7 de outubro, em uma cerimônia de premiação que acontecerá durante o Roche Press Day 2026, em San José, Costa Rica. A cerimônia será transmitida para todo o mundo pelo canal da Fundação Gabo no YouTube. Acompanhe as novidades seguindo o Prêmio Roche no Instagram e no TikTok, além dos canais da Fundação Gabo no X, LinkedIn e Facebook.

Conheça os trabalhos finalistas

Jornalismo escrito

Nesta categoria, avaliada por Roxana Tabakman (Argentina/Brasil), cofundadora da RedeComCiência e da Repeci-Lac, redes de jornalismo e comunicação científica no Brasil e na América Latina e no Caribe, respectivamente, e autora dos livros La Salud en los Medios (Medicina para periodistas, periodismo para médicos) e Biovigilados; e Nuño Domínguez (Espanha), cofundador da Materia, a seção de Ciência do EL PAÍS, foram selecionados como finalistas:

“Donde duele”
Autores: Ángela Martin Laiton, Angy Alvarado, Sirley Muñoz, Natalia Prieto, Isabela Porras, Gabriel Linares, Carlos Mayorga, Vanesa Barrera, Ivonne Arroyo, Valeria Ortiz e Camila Bolívar
Mídia: Consonante
País: Colômbia

Descrição:
A investigação mergulha em territórios historicamente excluídos da Colômbia para ampliar a conversa nacional sobre saúde mental, descentralizando o olhar para mostrar que falar de saúde mental também é falar de dignidade, justiça e reparação histórica. Combina reportagem em campo, entrevistas com comunidades, lideranças locais, autoridades e pesquisadores, com uma investigação quantitativa própria baseada em 1.247 questionários aplicados em territórios de difícil acesso de Guainía, Vaupés, Caquetá, Chocó, La Guajira e Amazonas.

Ver especial

“La privatización silenciosa: prácticas de corrupción en el Sistema Nacional de Salud Cubana”
Autoras: Luzbely Escobar, Mel Herrera, Laura Vargas e Náyare Menoyo
Mídia: Casa Palanca
País: Cuba

Descrição:
Enquanto o Estado cubano promove seu Sistema Nacional de Saúde como um baluarte de gratuidade e excelência, a realidade enfrentada pelos cidadãos em hospitais e farmácias é a de um sistema em colapso. Esta investigação narra como o direito constitucional à saúde se transformou, na prática, em um mercado de privilégios em que a vida tem um preço informal, recorrendo a depoimentos, pesquisas nacionais, análise jurídica e contextualização econômica para transformar experiências individuais em evidências de um fenômeno sistêmico.

Leia a investigação

“Mapa del aborto: garantizar derechos en tiempos de Milei”
Autoras: Camila Parodi, Arlen Buchara, María Paz Tibiletti, Camila Vautier e Euge Murillo
Mídia: LATFEM
País: Argentina

Descrição:
Esta é uma investigação de abrangência federal e uma série de crônicas de longo fôlego sobre a situação da saúde sexual e reprodutiva na Argentina no atual contexto político. O trabalho investiga como as políticas de desfinanciamento e de retirada do Estado nacional impactam o acesso à interrupção voluntária e legal da gravidez (IVE/ILE) e como, diante desse retrocesso, persistem as redes feministas, os profissionais de saúde e as organizações comunitárias que sustentam esse direito nos territórios.

Ver série

Jornalismo audiovisual

Nesta categoria, avaliada por Paz Montenegro (Chile), jornalista, pesquisadora e editora-chefe de padrões editoriais da TVN; e Atila Iamarino (Brasil), biólogo e divulgador científico, foram selecionados como finalistas:

“Ataxia SCA7: la muerte en la sangre”
Autor: David Del Río Teixeira
Mídia: Diario ABC
País: Espanha

Descrição:
Viver com ataxia espinocerebelar tipo 7 (SCA7), uma doença crônica, hereditária e neurodegenerativa, é enfrentar uma corrida contra a perda progressiva da visão, da mobilidade e da fala. Esta reportagem parte da experiência pessoal de Nuco Romero para dar visibilidade ao estigma e à solidão das famílias afetadas na Espanha e no México. Um documentário que combina investigação jornalística rigorosa, divulgação científica de alta qualidade e uma construção narrativa profundamente humana.

Assista à reportagem

“Lembra-te de Mim”
Autora: Maria João Rosa
Mídias: TVI e CNN Portugal
País: Portugal

Descrição:
Maria João Rosa foi cuidadora de sua mãe, que tinha Alzheimer, e sua experiência lhe permitiu compreender a doença a partir de uma perspectiva humana e íntima. Essa é a intenção desta reportagem televisiva: dar voz aos pacientes, cuidadores, familiares e especialistas afetados por essa doença. O trabalho incorpora pesquisa científica de fronteira, estatísticas nacionais, especialistas em neurologia, entrevistas com cuidadores e associações de pacientes, além de observação participante, para desconstruir mitos profundamente arraigados sobre a doença.

Veja o trabalho

“Zika – 10 anos”
Autoras: Lívia Bonard, Marcelly Setúbal, Andressa Gonçalves, Clarissa Thomé e Karina Pinheiro
Mídia: Globonews
País: Brasil

Descrição:
É uma série jornalística que reconstrói, dez anos depois, as consequências de uma das maiores crises de saúde do Brasil: a epidemia do vírus da Zika de 2015-2016. A investigação teve como ponto de partida entender o que havia acontecido com as mães e famílias afetadas pela doença, encontrando histórias marcadas pelo abandono do Estado, pela sobrecarga das mães cuidadoras e por sua resistência. A série também aborda como fatores estruturais, como a desnutrição, a falta de saneamento e a vulnerabilidade social, contribuíram para a gravidade da crise.

Primeira parte
Segunda parte
Terceira parte

Jornalismo digital

Nesta categoria, avaliada por Carolina Gil Posse (Argentina), jornalista, pesquisadora e diretora sênior de programas e estratégia para a América Latina e o Caribe na ONG Salud sin Daño; e André Biernath (Brasil), repórter da BBC News Brasil em Londres, foram selecionados como finalistas:

“El dengue explota las bajas defensas de los gobiernos”
Autores: Emilio Godoy Alvarado, Jorge Rodríguez, Jonathan Palma e Breidy Hernández
Mídias: Connectas, Inter Press Service, Revista Viatori e Criterio
Países: Colômbia, Uruguai, Guatemala e Honduras

Descrição:
Este trabalho parte de uma hipótese clara e verificável: o aumento de casos de dengue no México, Guatemala e Honduras não foi apenas consequência das mudanças climáticas, mas também da preparação e resposta insuficientes dos sistemas de saúde. A partir dessa premissa, desenvolve uma investigação comparativa que combina análise de dados, consulta documental, entrevistas e trabalho de campo para demonstrar as lacunas entre as recomendações da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e as ações governamentais.

Acesse o especial

“Meninas Mães – A cada meia hora uma criança vira mãe no Brasil”
Autoras: Jane Fernandes, Lu Belin, Juliana Lourenço, Joana Suarez, Schirlei Alves, Helena Bertho, Deyse Cruz Noronha, Nathalia Cariatti, Giulia Santos, Ingrid Fernandes, Bárbara Libório, Amanda Renaly, Giselle Mansur e Carolina Oms
Mídia: Revista AzMina
País: Brasil

Descrição:
No Brasil, todos os anos, cerca de 20.000 meninas se tornam mães, o que equivale a 57 por dia. Este projeto busca dar visibilidade à gravidez infantil, à sua normalização no país, às consequências para a saúde das menores e à violação de seus direitos, apresentando um panorama nacional e um retrato geográfico das regiões com as taxas mais elevadas de fecundidade infantil entre meninas de 10 a 14 anos. Por meio da coleta de dados, trabalho de campo e entrevistas com as meninas e suas famílias, mostra como essa realidade afeta de maneira diferente aquelas que vivem em áreas rurais e aquelas que enfrentam dificuldades de acesso à saúde.

Explore a investigação

“Mujeres wayuu enfrentan violencia obstétrica y exclusión en la frontera colombo-venezolana”
Autoras: Génesis Daniela Prada Mesa, Betsabé Molero e María Fernanda Padilla
Mídia: Revista Raya
País: Colômbia

Descrição:
As histórias de Fabiana, Luz Eliannys, Damaris e Annie revelam um padrão comum: a violência obstétrica e as barreiras de acesso a cuidados maternos oportunos atravessam as gestações e os partos das mulheres wayuu na fronteira entre Colômbia e Venezuela. Este trabalho busca narrar essa realidade ao propor uma leitura diferente da fronteira, onde as dissonâncias institucionais e as desigualdades no acesso à saúde se inscrevem nos corpos das mulheres, e coloca no centro da discussão pública a urgência de incorporar uma abordagem étnica e intercultural às políticas de saúde voltadas para comunidades binacionais.

Leia as histórias

Jornalismo sonoro

Nesta categoria, avaliada por Silvia Viñas (Uruguai), diretora de desenvolvimento de novas produções da Radio Ambulante Studios; e Meghie Rodrigues (Brasil), apresentadora do podcast Ciência Suja e correspondente independente da revista Nature, foram selecionados como finalistas:

“A Menina do Espírito Santo”
Autores: Angela Boldrini, Raphael Concli, Magê Flores, Daniel Castro, Catarina Pignato e Giovanna Stael
Mídia: Folha de S.Paulo
País: Brasil

Descrição:
O especial é composto por dois episódios de Caso das 10 Mil, um podcast que aborda marcos da disputa política e institucional em torno dos direitos reprodutivos e do acesso à saúde no Brasil. Nesses capítulos, é contada a história de uma menina de 10 anos, vítima de violência sexual, que enfrentou obstáculos para ter acesso à interrupção voluntária da gravidez, permitida no Brasil em três situações: risco de morte da gestante, estupro e anencefalia fetal.

Ouça ‘A Menina do Espírito Santo: a pressão’ (Versão no YouTube)
Ouça ‘A Menina do Espírito Santo: 22 semanas’ (Versão no YouTube)

“La teta contra Goliat”
Autores: Julia Muriel Dominzain, Tomás Pérez Vizzón e Leila Mesyngier
Mídias: Revista Anfibia – Anfibia Podcast
País: Argentina

Descrição:
Os órgãos de saúde recomendam o aleitamento materno exclusivo como o melhor alimento para o início da vida, mas apenas metade dos bebês no mundo é amamentada de acordo com essa recomendação. A partir de mais de vinte entrevistas com mães, profissionais de saúde e ativistas, e de trabalho de campo em um banco de leite e uma unidade neonatal, este trabalho analisa as barreiras estruturais ao aleitamento, que não pode ser entendido apenas como uma decisão pessoal, mas como resultado de uma trama de políticas trabalhistas, práticas de saúde, interesses comerciais e condições sociais.

Acesse o podcast

“Salomón Hakim: el relojero del cerebro”
Autoras: Adriana Correa Velásquez, Maru Lombardo e Lisbeth Fog
Mídias: Fundación Alejandro Ángel Escobar e El Tiempo
País: Colômbia

Descrição:
Após uma observação clínica inesperada, o neurocirurgião colombiano Salomón Hakim formulou uma hipótese que transformou a neurocirurgia contemporânea: existe uma doença cujos sintomas podem ser confundidos com Alzheimer ou Parkinson, mas que pode ser tratada por meio de uma válvula cerebral. Este episódio do podcast Fiebres Lúcidas acompanha o processo científico e humano por trás da descoberta da hidrocefalia de pressão normal e do desenvolvimento de seu tratamento, traduzindo conceitos complexos de neurologia e neurocirurgia em uma narrativa acessível, rigorosa e emocionalmente significativa. A investigação integrou reportagem, revisão da literatura científica, entrevistas, arquivo histórico, escrita narrativa, verificação de dados e desenho sonoro.

Entre no episódio

Sobre o Prêmio Roche de Jornalismo em Saúde
O Prêmio Roche é uma iniciativa da Roche América Latina, com a Secretaria Técnica da Fundación Gabo, que busca reconhecer a excelência e a cobertura jornalística de qualidade sobre saúde na América Latina, Espanha e Portugal.

Sobre a Roche
Fundada em 1896, a Roche busca melhores maneiras de prevenir, diagnosticar e tratar doenças, bem como contribuir para o desenvolvimento sustentável da sociedade. A empresa também tem como objetivo ampliar o acesso dos pacientes às inovações médicas, trabalhando com todas as partes interessadas pertinentes. A Roche é uma empresa internacional, pioneira na pesquisa e no desenvolvimento de medicamentos e produtos para diagnóstico, e atua para promover o avanço da ciência e melhorar a vida das pessoas. É a maior empresa de biotecnologia do mundo, com medicamentos verdadeiramente diferenciados nas áreas de oncologia, imunologia, doenças infecciosas, oftalmologia e neurociências.

Sobre a Fundación Gabo
É uma instituição criada pelo jornalista e prêmio Nobel de Literatura colombiano Gabriel García Márquez. Desde 1995, realiza oficinas, prêmios, bolsas de estudo e publicações, além de liderar iniciativas para transmitir às novas gerações o sonho de Gabo de fazer o melhor jornalismo do mundo: um jornalismo independente que busca investigar, decifrar e explicar os fatos da realidade de maneira rigorosa, ética e criativa, para que a cidadania esteja mais bem informada.

Para mais informações ou para esclarecer dúvidas sobre a décima quarta edição do Prêmio Roche, entre em contato pelo e-mail: premioroche@fundaciongabo.org

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *