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Como aproveitar nova narrativas audiovisuais para contar histórias escondidas: reflexões do jurado do Prêmio Roche

setembro 01, 2022
Como aproveitar nova narrativas audiovisuais para contar histórias escondidas: reflexões do jurado do Prêmio Roche

Os formatos audiovisuais tomam grande parte do espaço informativo após a emergência das redes sociais como meio de compartilhamento de notícias ou histórias que antes só eram veiculadas pelo noticiário. Por isso que agora os jornalistas não devem apenas preparar o conteúdo que será transmitido pela televisão, mas também traduzir a história em um reel, um tiktok ou para uma plataforma de streaming.

Ainda que a força do audiovisual seja importante na evolução do fazer jornalístico, segundo Tamoa Calzadilla, jurada do Prêmio Roche de Jornalismo em Saúde 2021, agora se faz mais do que necessário lembrar que o olhar do jornalista não deve estar somente em “o que todo mundo está olhando”, risco no qual se pode cair ao seguir as tendências ditadas pelas plataformas digitais.

Calzadilla indica que não devem ser abandonadas “as histórias escondidas, aquelas que não são ouvidas todos os dias em uma rádio ou que não se vê nas redes sociais, aquelas que ninguém vai comentar contigo. Não renuncie ao olhar curioso do jornalista que vai além para buscar o que está escondido”.

A jornalista venezuelana ainda disse que, ao identificar essas histórias, é importante encontrar aspectos na narrativa que diferenciem o trabalho. Algumas opções para isso podem ser o uso de ilustrações ou animações durante a edição, ou o incremento de recursos para que o público se identifique com o tema e veja utilidade na informação divulgada.

Quatro dicas para se fazer jornalismo audiovisual

Essas são as recomendações de Tamoa Calzadilla para uma boa cobertura jornalística por meio de formatos audiovisuais:

1. Buscar o público “onde ele estiver”. Não ficar apenas no recorte tradicional do jornalismo, mas pensar “fora da caixa” para encontrar o público que precisa de informação ou combater a desinformação na plataforma utilizada pelo veículo.

2. Aprender novas narrativas. Entender como as pessoas estão falando, como estão interagindo nas redes sociais e como estão consumindo conteúdo, para aprender outras formas de contar histórias, entendendo que nem tudo pode caber em um título, um texto longo e uma imagem. “Assim como aprendemos a fazer fios no Twitter, aprendamos agora a contar histórias por meio de vídeos curtos”, disse Calzadilla.

3. Manter os princípios do jornalismo. Por mais que as narrativas audiovisuais se reinventem, o sentido do jornalismo no fundo deve ser o mesmo: verificar, dar voz aos que não têm, ter princípios éticos para diferenciarmos do resto das pessoas que publicam nas redes sociais e estar todo o tempo informados.

4. Usar novas ferramentas para dar voz aos que não têm voz. Aproveitar formatos de maior impacto, como ilustrações e animações, para informar as pessoas, para dar um maior alcance a boas histórias e que possam alcançar maior destaque em meio à “pirotecnia” das redes sociais.

O alcance do trabalho colaborativo

Para a jornalista venezuelana, o interesse pela excelência mudou com os anos e com o fortalecimento do trabalho em equipe, não apenas dentro da redação, mas a partir de alianças com diferentes instituições ou com outros meios de comunicação.

“Hoje em dia essa excelência acontece quando um grupo de jornalistas e especialistas em infográficos, cinegrafistas, entre outros, sentam e pensam em como causar um grande impacto, como conseguir que (a informação) chegue a mais pessoas ao mesmo tempo e por muitos meios para que seja vista de distintas maneiras”, explicou a jurada do Prêmio Roche em 2021.

Calzadilla se classificou como uma fã do trabalho colaborativo e de compartilhar o trabalho com outros meios, para aproveitar os meios, as redes sociais, os públicos, o alcance de cada um (desde o ponto de vista geográfico até a área de experiencia ou conhecimento) e ampliar o acesso à informação.

“Cada vez vemos menos jornalistas com o caderninho que escondiam do colega. Pelo contrário, hoje todos compartilham o que têm para ver, o que podem contribuir, e com quem falar para que as coisas avancem. A chave está nisso”, concluiu.

Sobre o Prêmio Roche

O Prêmio Roche de Jornalismo em Saúde é uma iniciativa da Roche América Latina e da Secretaria Técnica da Fundação Gabo, que busca premiar a excelência e estimular a cobertura jornalística de qualidade de pautas de saúde e ciência na América Latina, integrando sanitário, econômico, político, social, entre outras áreas de investigação do jornalismo.

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