#ComDados: Como combater as (cada vez mais frequentes) mentiras sobre a variante delta

Por: Cristina Tardáguila

Infelizmente, é verdade que a variante delta, esta nova e contagiosa cepa do novo coronavírus, foi identificada na Índia em outubro do ano passado e já contaminou cidadãos em mais de 100 países.

Também é verdade que, mesmo em nações com grande oferta de vacinas, essa linhagem do vírus já é responsável pela grande maioria dos novos casos de covid-19. Nos Estados Unidos, por exemplo, mais de 80% das novas infecções vêm da variante delta.

E, além disso, é a mais dura verdade que o movimento anti-vacinas está produzindo e espalhando mentiras absurdas sobre esse tipo de vírus com o objetivo de afastar as pessoas que têm dúvidas sobre os programas de imunização das injeções em si.

Portanto, é hora de nos unirmos para produzir um material envolvente e eloquente, em muitas plataformas. Especiais noticiosos capazes de enterrar informações incorretas sobre essa cepa contagiosa do novo coronavírus e deixar os cidadãos mais cientes do risco que correm. Fica aqui o convite para que possamos colaborar na produção (e reprodução) de reportagens em áudio, texto, vídeo, infográficos e tudo mais que for possível, para alcançarmos todos aqueles que estão sendo impactados pelas mentiras sobre a variante delta.

E são muitas as pessoas neste grupo.

Nas últimas três semanas, quase 10% das verificações publicadas pelos membros da aliança #Coronavirus Facts, projeto colaborativo que reúne mais de 90 organizações especializadas em fact-checking em todo o mundo, estava relacionado à variante delta. Prova de que as mentiras sobre essa linhagem estão em todos os continentes, nos mais diversos idiomas, plataformas e formatos.

Nos Estados Unidos, por exemplo, as teorias de conspiração sobre a variante delta viralizam em inglês e em espanhol. A equipe do Check Your Fact, por exemplo, desmentiu uma imagem que circulou em redes sociais e aplicativos de mensagens mostrando o ex-presidente Donald Trump segurando uma placa que dizia “A variante delta é fake news”. A foto foi obviamente adulterada, mas isso pouco importou para o movimento anti-vacina.

Os checadores do El Detector publicaram, por sua vez, extenso artigo classificando como falsos os posts e as correntes de WhatsApp que insistiam em afirmar que os testes de PCR hoje disponíveis nos Estados Unidos não são capazes de detectar a variante delta. Essa notícia é falsa e perigosa.

Na Ásia e na Europa, a desinformação sobre a variante delta tem um caráter um pouco diferente: parece se alimentar da leitura distorcida de dados públicos.

Os ucranianos do StopFake, por exemplo, desmentiram um vídeo que se tornou viral no YouTube sugerindo que as vacinas contra covid-19 não são capazes de proteger os humanos contra a variante delta; que elas são ainda mais perigosas. Mentira. O vídeo manipulava de forma indevida (e também perigosa) os dados públicos disponíveis no Sistema de Notificação de Eventos Colaterais das Vacinas dos Estados Unidos (VAERS, em inglês).

Na Macedônia, os anti-vacinas passaram os últimos dias tentando popularizar a ideia de que alguns indivíduos são – veja só – simplesmente imunes à variante delta. Não acredite nisso. É falso.

E como podemos amplificar o alcance e a leitura dessas e outras verificações? Montando um grupo multidisciplinar e pautando a construção de um especial amplo e atrativo sobre a variante delta.

Enquanto jornalistas e checadores de fatos buscarão informações corretas e concretas sobre o número de mortes provocadas por esta cepa e sobre quantas dessas vítimas não tinham se vacinado contra a covid-19, videografistas, cartunistas, gráficos, operadores de rádio e influenciadores digitais poderão planejar e lançar conteúdos nos mais diversos formatos. O objetivo é usar esses conteúdos no maior número possível de plataformas.

Lembremos que uma bela manchete no principal jornal do país pode ajudar a combater as mentiras sobre a covid-19, mas já não é suficiente. Pensemos grande, tão grande quanto o horror causado pela variante delta.

Para levar em consideração:

    • Encontre, confirme e publique dados concretos (e verdadeiros) sobre a variante delta. Quantas pessoas foram infectadas e quantas morreram em decorrência dessa cepa em sua cidade, estado ou país? Adicione a essa informação triste (e chocante) o número total de vítimas que não tinham sido vacinadas contra covid-19.
    • Ao usar números de mortos ou doentes, especialmente em vídeos e áudios, lembre-se de adicionar porcentagens e de fazer metáforas capazes de ilustrar o tamanho do problema. Algo como “o número total de pessoas que morreram com a variante delta antes de tomar as vacinas contra a covid-19 poderia encher este estádio de futebol” com a foto do estádio.
    • Prepare um especial multiplataforma para lidar com as mentiras sobre a variante delta. Transforme as checagens da aliança #CoronaVirusFacts em textos, vídeos, arquivos de áudio, podcasts, desenhos e muito mais.
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