Estes são os trabalhos colombianos que venceram o Prêmio Roche de Jornalismo em Saúde

Uma reportagem sobre o falecimento de uma jovem como consequência de uma cirurgia estética em uma clínica de garagem, a comoção vivida em El Carmen de Bolívar pela suposta sugestão coletiva provocada em crianças pela injeção contra o vírus do papiloma humano e a história de uma menina de 11 anos com leucemia que sonhava em participar em olimpíadas acadêmicas são os trabalhos colombianos que venceram o Premio Roche de Jornalismo em Saúde em suas seis edições.

Dois vencedores na categoria Rádio e um na Televisão e Vídeo mostram a qualidade das histórias dos jornalistas colombianos que encontram no cotidiano temas que merecem ser contados. É por isso que desde 2013 a Roche patrocina essa iniciativa junto com a Secretaria Técnica da FNPI – Fundação Gabriel García Márquez para o Novo Jornalismo Ibero-americano, com o objetivo de premiar a excelência e estimular a cobertura jornalística de qualidade sobre temas de saúde na América Latina.

Sobre o Prêmio Roche

As inscrições para a sétima edição do Prêmio estarão abertas até 4 de abril de 2019. Poderão ser inscritos trabalhos originais, em espanhol ou português, publicados ou emitidos na América Latina entre 1º de janeiro de 2017 e 31 de dezembro de 2018, nas categorias Televisão e Vídeo e Jornalismo Escrito. Conheça as regras do Prêmio Roche 2019.

‘Valiente Valentina’, vencedora da categoria Televisão e Vídeo 2013

‘Valiente Valentina’, feita por Federico Uribe para Telemedellín, conta a história de Valentina Vanegas, uma menina de 11 anos que, apesar de ter leucemia, realiza o sonho de participar das Olimpíadas do Conhecimento organizada pela Secretaria da Educação de Medellín, ficando entre as 50 melhores estudantes da competição.

Durante vários meses ao longo de 2010 e 2010 uma equipe de Telemdellín acompanhou Valentina no hospital e em sua preparação para o concurso, assim como o processo para vencer a doença, causa de sua morte em 22 de setembro de 2011, um ano depois de participar das olimpíadas acadêmicas.

O jurado afirmou que “Valiente Valentina” “é um relato surpreendente, comovedor, impactante por fazer um seguimento de muito tempo da história de uma menina que luta para sobreviver a uma leucemia através de batalhas significativas, como a de participar em uma olimpíada de conhecimento. A narração está muito bem feita e aproveita ao máximo a inteligência e maturidade da protagonista. O uso da câmera é excelente, assim como a edição. Tem o valor adicional de chegar até o final da história, que é bem triste, o que dá maior força ao trabalho. Cabe ressaltar que foi transmitida em um canal público de televisão e que desafia a que se utilize mais o formato de documentário como uma linguagem mais frequente nas reportagens jornalísticas”.

‘De vacunas, abandono y otros demonios’, vencedor da categoria Rádio 2016

‘De vacunas, abandono y otros demonios’ é uma crônica feita por Martha Amor, Fabián Cardoso e Ruddy Negrete para UdeC Radio e que fala sobre um fato que parece ter saído do realismo mágico de Gabriel García Márquez: os desmaios de centenas de adolescentes sem explicação aparente no município de El Carmen de Bolívar.

Neste trabalho, os jornalistas concatenam os relatos dos pais das jovens afetadas, que consideram que tudo foi causado pela vacina contra o HPV; os do governo e autoridades de saúde, que sentenciaram que tratou-se de um caso de sugestão coletiva; os de psiquiatras que explicam como é o protocolo médico para casos como este, e os de cientistas e pesquisadores sociais que falam sobre a relação entre a indústria farmacêutica e os governos.

A crônica se baseia na construção dos fatos em um lapso de sete meses. Utiliza recursos estilísticos para trazer a metáfora literária à linguagem da rádio com relações e conexões com peças artísticas como a obra do nobel Gabriel García Márquez, Sobre o amor e outros demônios, e a composição musical de Lucho Bermúdez, Carmen de Bolívar.

O jurado da edição de 2016 afirmou que trata-se de “uma história interessante, em especial porque é um tema recente, da atualidade, real, de implicância política e que pertence à agenda pública e visibiliza um tema de saúde ao qual o governo parece ter dado as costas. O desenvolvimento jornalístico se mostrou acertado, faz um bom uso das explicações, especialmente quando se refere às crenças sobrenaturais de um determinado setor social. É um relato no qual se mostra, além disso, a sensibilidade do jornalista”.

‘Doctor: ¿Esto es normal?’, vencedor da categoria Rádio 2018

‘Doctor: ¿Esto es normal?’, feito por Charlotte De Beauvoir e Juan Camilo Chaves, conta a história de Ximena López, uma jovem antioquenha que faleceu depois de fazer uma cirurgia para aumentar seus glúteos com pessoas proibidas de exercer tal atividade, e de outras vítimas da rota negra da cirurgia plástica estética em Medellín.

Além disso, retoma os problemas do acesso à saúde na Colômbia e o âmbito da justiça do sistema, que não se mexe até que hajam vítimas mortais.

Nesta reportagem, que se divide em duas e que fora publicada em Cerosetenta, os familiares de Ximena López e sua companheira de apartamento relatam como foram os últimos dias da mulher de 21 anos após um falso especialista aplicar biopolímeros nas nádegas dela, as posteriores complicações e o final fatídico.

O trabalho coprouzido por Cerosetenta, meio digital do Centro de Estudos em Jornalismo (Ceper) da Universidad de los Andes, e Radio Ambulante foi escolhido pelo jurado como vencedor do prêmio por ser “um trabalho jornalístico integral, um pacote completo, que com atitude social aborda um assunto científico. Demonstra um grande trabalho de produção que causa impacto. Conta com uma boa história que consegue prender a audiência desde o começo e que prolonga o suspense durante toda a narração. Transmite emoção através do som, o que permite comunicar melhor a informação para os ouvintes”.

Prêmio Roche de Jornalismo em Saúde

O Prêmio Roche de Jornalismo em Saúde é uma iniciativa da Roche América Latina e da Secretaria Técnica da FNPI- Fundação Gabriel García Márquez para o Novo Jornalismo Iberoamericano e que busca reconhecer a excelência e fomentar o trabalho jornalístico de qualidade na cobertura de temas de saúde na América Latina.

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