Relatório do julgamento Prêmio Roche de Jornalismo em Saúde 2018

Introdução

Este documento registra as reflexões e as contribuições que surgiram do processo de julgamento da sexta edição do Prêmio Roche de Jornalismo em Saúde, entregue em 2018 nas categorias Rádio e Internet.

O jornalismo em saúde busca seu espaço

A América Latina conta com uma população de mais de 625 milhões de habitantes. É uma das regiões com maior potencial a nível mundial e grande parte de sua população está em idade produtiva. Frente a esse cenário, mudanças econômicas e tecnológicas globais colocam disciplinas como o jornalismo em um momento de redesenho e questionamentos. Os meios de comunicação se viram obrigados em fazer uma transição em seu conteúdo e forma, impactando a maneira em que se pratica o ofício.

Dentro desse panorama, o jornalismo em saúde procura seu espaço para comunicar um dos aspectos mais importantes para o homem. Tanto nos Estados Unidos como na América Latina, a saúde é um dos temas mais buscados na internet, afirma Nora Bär, jurada da categoria Internet. “As pessoas estão preocupadas em ter informação para tomar decisões sobre seus bem-estar”, completa. Cilene Pereira, jurada da mesma categoria, também considera que o jornalismo em saúde vem ganhando mais importância nos últimos anos na América Latina e no mundo. Para ela, o Prêmio Roche é um reconhecimento aos jornalistas que estão fazendo um bom trabalho e comunicando fatos relevantes desde um ponto de vista individual e social. “O prêmio mostra o crescimento de uma área que até pouco tempo atrás não era tão prestigiada dentro do jornalismo”, diz Pereira.

O Prêmio Roche de Jornalismo em Saúde é uma iniciativa da Roche América Latina, com a Secretaria Técnica da FNPI – Fundação Gabriel García Márquez para o Novo Jornalismo Ibero-americano, que busca reconhecer a excelência e fomentar o trabalho jornalístico de qualidade na cobertura de temas da saúde na América Latina. Este ano, em sua sexta edição, o Prêmio convidou jornalistas do continente a se inscreverem na categoria Rádio entre 4 de dezembro de 2017 e 4 de abril de 2018 com trabalhos jornalísticos produzidos e transmitidos em programas de rádio por emissoras ou sites de qualquer país da América Latina. No mesmo período, também foram convocados trabalhos para a categoria Internet produzidos e publicados em meios digitais de qualquer país latino-americano. Todas as reportagens tinham que ter sido transmitidas ou publicadas pela primeira vez entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2017. Também deveriam tratar de casos que abarcassem qualquer um dos seguintes temas: inovação em cuidados da saúde, biotecnologia da saúde, acesso a cuidados da saúde, pesquisa e desenvolvimento em temas da saúde, regulação e políticas públicas de saúde e oncologia.

Além do reconhecimento da comunidade jornalística do continente, os vencedores puderam escolher como prêmio uma bolsa para participar em qualquer um dos workshops da FNPI ou optar por ir ao Festival Gabriel García Márquez de Jornalismo que ocorrerá entre 3 e 5 de outubro de 2018 em Medellín, na Colômbia. Todos os finalistas, entre eles os vencedores, foram convidados ao Roche Press Day e receberam um diploma, uma medalha e uma cópia do livro Gabo Jornalista. Adicionalmente, foi dada uma menção honrosa a um trabalho em cada categoria do prêmio dedicado a ao tema de acessos a cuidados da saúde.

Neste ano, o prêmio recebeu 435 trabalhos provenientes de 19 países, o que representa um aumento de 72% das inscrições em relação à edição de 2016, que premiou as mesmas categorias. Do total, 75 trabalhos foram inscritos na categoria Rádio, enquanto 360 se dirigiram para a categoria Internet, com cada categoria representando respectivamente 17% de 83% das inscrições. Em um primeiro momento, um comitê técnico avaliou e validou os trabalhos inscritos. Depois, um pré-júri escolheu os trabalhos para passaram à segunda rodada. Na categoria rádio, o pré-júri foi formado por Martha Amor, chefe de imprensa da Sociedad Portuaria de Cartagena, e Luis Henrique de Souza da Silva, apresentador de rádio e assessor de comunicação da Secretaria Municipal da Saúde Joao Pessoa, no Brasil. Na categoria Internet, o pré-júri foi formado por Pamyle Brugnago, produtora de reportagens multimídias do Jornal de Santa Catarina, no Brasil; Airam Fernández, repórter do Contrapunto.com, da Venezuela; Paz Montenegro, jornalista do Canal 13, do Chile; e Vinicius Sassine, jornalista do O Globo, do Brasil. O assessor médico Juan Valentín Fernández de la Gala acompanhou e assessorou todos os jurados.

Finalmente, em 25 de maio de 2018 se reuniram em Cartagena, na Colômbia, os jurados da categoria Rádio, Ricardo Sandoval e Mariana Ferrão, e o assessor médico de la Gala, para escolherem, entre os 14 trabalhos que passaram para a segunda rodada, os três finalistas e o vencedor. No dia seguinte, 26 de maio, reuniram-se os jurados da categoria Internet, Nora Bär e Cilene Pereira, também com a assessoria de de la Gala, para definirem entre 27 reportagens os três finalistas e o vencedor.

A seguir, as conclusões das jornadas de avaliação realizadas em Cartagena e alguns comentários sobre as conversas com o pré-júri, posteriores à pré-seleção que eles realizaram. As observações também incluem os formatos narrativos, os critérios de seleção dos temas, as formas dos meios de comunicação e os protagonistas do jornalismo em saúde na América Latina em 2017 e 2018.

A informação, ferramenta de acesso à saúde

“O jornalismo tem a função de levar às pessoas informação que permita a elas melhorarem ou mudarem suas vidas. Quando falamos de prevenção de infecções, informar ao público sobre a higiene das mãos pode ser crucial. Se falamos de câncer, podemos ajudar a enfrentar a doença com outros olhos”, diz a jornalista brasileira Mariana Ferrão, jurada da categoria Rádio.

O jornalismo em saúde tem um propósito pedagógico, informativo e de denúncia que contribui para que mais pessoas reconheçam seu direito ao acesso à saúde. Entretanto, a informação na saúde, por sua natureza técnica e sua presença esporádica na agenda midiática, ainda é escassa na vida de muitas pessoas. “Informar sobre saúde é um serviço público. Precisamos de mais jornalistas dedicados a esse tema”, afirma Pamyle Brugnago, pré-jurada da categoria Internet. Por ser uma área multidisciplinar, que envolve conhecimentos técnicos e científicos, o jornalismo em saúde exige um grau maior de preparação e formação. Para Ricardo Sandoval, jurado da categoria Rádio, o jornalismo de saúde estabelece pontes entre a comunidades, a saúde pública e a ciência, o que ajuda a diminuir as brechas entre as partes. Ainda assim, isso só é possível com a criação de conteúdos atraentes e de fácil compreensão.

Para conseguir fazer com que esse tipo de informação esteja disponível para uma parte maior da população, a jornalística científica Nora Bär sugere que o jornalismo em saúde siga as normas, leis e regras do jornalismo que se faz em qualquer outra área e que também aproveite as ferramentas linguísticas e narrativas do ofício. Além disso, no caso do jornalismo para a internet, o jornalista deve usar todas as ferramentas multimídias à sua disposição, completa Bär. Cilene Pereira recomenda nunca perder o olhar jornalístico quando se aborde esses temas e que se procure a notícia como em qualquer outro entorno, ou seja, fazendo as perguntas básicas que seriam feitas em outra situação.

Em relação a criar uma informação de compreensão mais fácil, o jornalista mexicano Ricardo Sandoval aponta que o uso de histórias é peça chave para se conseguir uma melhor comunicação com a audiência. “Os seres humanos estão acostumados a escutar contos, e meios de comunicação como o rádio faz jornalismo em forma de histórias”, diz.

Para Mariana Ferrão, é importante que um trabalho consiga desde o princípio atrair a atenção do público e considera que este foi um dos fatores mais relevantes na hora de escolher o vencedor da categoria Rádio. “As notícias têm que ser rigorosas, verdadeiras, importantes, transcendentes e atrativas. Do contrário, ninguém vai se interessar em ler, escutar ou olhar elas”, agrega Bär

De fatos locais a questões universais

Os esforços para fazer do jornalismo em saúde mais atrativo e compreensível são fundamentais nos meios digitais e na rádio online. Graças a essas plataformas, qualquer coisa que se publique em um lugar está disponível praticamente em todas os lados do mundo. Isso fez com que os jornalistas tentassem desenvolver narrativas que pudessem ser contadas em entornos globais. Os jurados de ambas categorias – Rádio e Internet – da sexta edição do prêmio Roche afirmaram de maneira unanime que, ao tratar de temas humanos, o jornalismo de saúde permite transladar histórias com um foco específico a um entorno geral.

Sandoval destaca essa capacidade de “começar com um foco local e logo abrir a narrativa a um espaço global ou nacional” de um dos trabalhos finalistas da categoria Rádio. Trata-se de Katana no quiere parir: un análisis periodístico de la baja fecundidad en Cuba, uma reportagem que parte de um dado estatístico para abordar questões sociais, econômicas e demográficas em Cuba, mas sem deixar de lado aspectos que também dizem respeito a outros países da América Latina, como o papel da mulher contemporânea. A partir de um tema muito específico da saúde no país, o trabalho aborda uma tendência social.

Da mesma forma, essa fórmula narrativa, aplicada a outras escalas, potencializa os trabalhos de jornalismo em saúde. Muitos deles se destacaram por narrar a história pessoal de alguém para discutir determinado tema. Como por exemplo em Vivendo a morte, um especial multimídia acerca dos cuidados paliativos no Brasil, e um dos finalistas da categoria Internet. Nora Bär comenta que nesta história o jornalista poderia ter terminado seu trabalho nas histórias individuais e nos depoimentos, mas que ele decide discutir o que esses depoimentos produzem e assim mostra um panorama geral dessa problemática.

A escolha do tema, ponto de partida para uma grande história

Os jurados do Prêmio Roche 2018 também ressaltam as propostas inovadoras oferecidas por todos os finalistas, e reconheceram o esforço dos autores para trazer temas novos e relevantes para a agenda da mídia. Durante a avaliação dos trabalhos, os jurados da categoria Internet buscaram reportagens que abordassem histórias rigorosas e precisas e que tivessem um tema importante, original e não muito conhecido, onde se notasse que o jornalista identificou uma possível história a partir de uma observação. De acordo com Nora Bär, “muitas vezes os jornalistas de saúde se enfocam em questões que não tem muita relevância para a saúde pública, ou seguem a moda do momento. É por isso que há períodos em que se produzem muitas notícias sobre um tema específico, por exemplo.”

Sobre como encontrar os temas mais adequados, Martha Amor, pré-jurada da categoria Rádio, insiste em que os jornalistas de saúde devem estar atentos ao que está acontecendo com as pessoas em termos estatísticos e no devem se esquecer das minorias. A jornalista colombiana também sugere que estar atento às pesquisas científicas e não apenas reproduzir, mas analisar o que chega das agencias de notícias. Além disso, Amor recomenda que mais que seguir uma agenda com dias especiais imposta por organismos de saúde ou agências internacionais, o jornalista deve perguntar-se sobre outros fatos, assim como ser independente de campanhas institucionais para evitar se que se transforme em um eco para propósitos políticos.

Durante a análise dos trabalhos inscritos, discutiu-se algumas das tendências utilizadas para a escolha do tema nas melhores reportagens:

        Histórias nas quais a saúde é um tema universal

Prestar atenção em notícias de outras áreas, como novidades ambientais, econômicas ou políticas e estudá-las com a perspectiva da saúde costuma ser uma forma de encontrar histórias para se fazer um bom jornalismo de saúde. Los niños chupadores de Paraguaipoa, por exemplo, uma das reportagens finalistas na categoria de Internet, aborda os riscos de saúde para as crianças que implica o contrabando de combustível na fronteira entre a Colômbia e a Venezuela. O trabalho demonstra a capacidade do jornalista de olhar a saúde como um tema transversal, que pode estar presente nos âmbitos político, social e econômico. “Na verdade, tudo está misturado, e este trabalho aborda um problema policial com um olhar da saúde”, afirma Nora Bär.

        Histórias que derrubem tabus

Na edição 2018 o jurado reconheceu que os jornalistas foram audazes em inscrever histórias sobre temas que quase não ressoam nos meios de comunicação, como a legalização da maconha na Colômbia, a violência obstétrica no Brasil e a luta pelos direitos das pessoas com HIV no México.

A vontade de cobrir temas delicados que poucas vezes são abordaos pela opinião pública é um valor agregado dos trabalhos que se destacaram. Este foi o caso de Depresión; necesitamos hablarlo, uma produção de rádio em dois capítulos que analisa o impacto da depressão em regiões vulneráveis e trata do caso específico do município de Teziultán, em Puebla, no México. Sobre esse trabalho, finalista na categoria Rádio, o assessor médico Juan Fernández de la Gala destacou a responsabilidade dos jornalistas no cuidado com os aspectos éticos e o respeito com os depoimentos dos pacientes e com a autoridade dos especialistas.

Segundo Mariana Ferrão, a nova agenda do jornalista de saúde inclui questões relacionadas com o bem-estar físico e mental. Já não é suficiente falar sobre beleza sob a ótica de tratamentos estéticos. Agora, é necessário se aprofundar no amor próprio e no cuidado individual e, para fazer isso, é preciso uma informação precisa e a assessoria de especialistas. “São temas pessoais que os jornalistas têm sido temerosos em tocar, mas que agora estão rompendo tabus”, afirma Ricardo Sandoval.

        Histórias com perspectiva de gênero

Tratar problemas de saúde que afetam as mulheres em especial foi outra das tendências da edição 2018 do Prêmio Roche. Foi interessante ver como jornalistas homens abordaram esses temas e tentaram dar voz às mulheres, como é o caso de Dar à luz a dor, reportagem de rádio sobre a violência obstétrica no Brasil, realizada por Hebert Araujo e transmitida pela Rádio CBN de João Pessoa, no Brasil. O júri deu ao trabalho uma menção honrosa ao tema de acesso a cuidados da saúde. Este tipo de iniciativa tem como objetivo iniciar uma discussão sobre o a como perspectiva de gênero no jornalismo de saúde pode dar mais ferramentas aos repórteres que decidem cobrir esse tipo de notícias. “Há uma tendência de foco nos temas de gênero para, a partir deles, discutir outros problemas da sociedade”, afirma Mariana Ferrão.

Os novos jogadores

Foram os meios independentes e locais, sobretudo, que demonstraram apostar mais em uma nova agenda jornalística. Inscrições de esse tipo de mídia se tornaram mais frequentes no Prêmio Roche e, ainda que aparentem ser menores e menos experientes que os grandes veículos, meios independentes e locais se destacam pela notável qualidade de seus trabalhos. Dos seis trabalhos finalistas e dos dois que receberam menções honrosas, quatro foram publicados em meios locais. Os dois vencedores – Rádio e Internet – foram publicados em meios independentes.

Na categoria Internet o prêmio foi dado para Huérfanos de la salud, um especial web de Ipys Venezuela e El Pitazo, também da Venezuela. A produção Doctor: ¿Esto es normal?, vencedora da categoria Rádio, foi transmitida pela Cerosetenta da Colômbia e também na Radio Ambulante.

Dos conteúdos apresentados pelos meios independentes, os jurados destacam a apostar por fazer jornalismo de investigação e por investir tempo e recursos em temas e formatos nos quais possivelmente os grandes meios não o fariam. Isso é reflexo da transição pela qual estão passando os meios frente a popularidade da internet, além de dar mostras de que as plataformas alternativas e independentes estão reagindo melhor que os grandes meios às mudanças do mercado. Os meios independentes estão se relacionando com a agenda dos jornalistas e de suas audiências e não com a dos clientes publicitários. Ricardo Sandoval destacou também o aproveitamento dos recursos tecnológicos e qualificou como exemplares as técnicas utilizadas para conseguir prender a atenção do ouvinte em trabalhos como Doctor: ¿Esto es normal?.

A fórmula vencedora

“Nossa profissão tem sido muito competitiva e isso tem que mudar”, afirma Mariana Ferrão, jurada da categoria Rádio. Outra característica a ser destacada dos trabalhos inscritos no prêmio em sua sexta edição é a notória qualidade daqueles realizados em coautoria ou em equipe. Em 2018, 24% dos trabalhos inscritos foram feitos de maneira coletiva. Dos seis finalistas, quatro foram elaborados em grupo. Inclusive, o vencedor da categoria Internet, Huérfanos de la salud, de Ipys Venezuela e El Pitazo, também da Venezuela, foi realizado por 40 colaboradores, entre eles repórteres, diagramadores, fotógrafos, entre outros. Trata-se de uma grande equipe multidisciplinar disposta a elaborar uma única investigação.

Em um momento no qual o imediato se converteu no fator de maior competição entre os meios, é importante dar reconhecimento a esse tipo de colaboração para desenvolver projetos únicos. “Tem que se trabalhar em equipe e ver como podemos colaborarmos entre nós”, afirma Ricardo Sandoval. Airam Fernández, pré-jurada da categoria Internet, vai na mesma linha e ressalta que sem dúvida os melhores trabalhos que ela revisou durante a primeira rodada foram aqueles feitos por mais de uma pessoa. Para ela, “os melhores feitos jornalísticos acontecem em grupo. Temos que apostar mais no trabalho em equipe.”

Vozes com força: Cuba e Venezuela

Cuba e Venezuela foram os dois países que aumentaram o número de inscrições nesta edição, em comparação com a edição de 2016 das categorias Rádio e Internet. Em 2016 foram escritos cinco trabalhos cubanos, enquanto neste ano foram 37. No caso da Venezuela, em 2016, 13 trabalhos foram inscritos, ao passo que neste ano foram 34. Os jurados não apenas ressaltaram a quantidade de trabalhos oriundo desses países, mas também a qualidade deles. Durante as avaliações de ambas categorias, notou-se que, apesar de Cuba e Venezuela estarem passando por situações sociais difíceis, os jornalistas desses países estão fazendo um jornalismo investigativo excelente.

Dois dos trabalhos finalistas são uma amostra desse movimento. O primeiro é da categoria Rádio e foi feito em Cuba: Katana no quiere parir: un análisis periodístico de la baja fecundidad en Cuba, de Gretta Espinosa Clemente e Laura Brunet, da Emisora Provincial Radio Ciudad del Mar. Desse trabalho o jurado reconheceu o bom olfato jornalístico para identificar uma história a partir de uma estatística e para, a partir daí, discutir outros aspectos sociais, econômicos ou demográficos. O júri ressaltou o tratamento profissional, ético e experiente dado ao tema, e o uso da pluralidade de fontes e dos diferentes ângulos dos quais se pode analisar a situação.

O trabalho vencedor da categoria Internet, já mencionado, foi da Venezuela: Huérfanos de la salud, inscrito por David González e representando Ipys Venezuela e El Pitazo. O jurado o qualificou como uma produção de destaque, que combina abrangência e profundidade incomuns. O especial de seis capítulos está investigado rigorosamente e traça um mapa detalhado da realidade da saúde infantil venezuelana. Além disso, o faz através de histórias muito bem contadas.

Além de dar reconhecimento aos melhores trabalhos de jornalismo de saúde no continente, a sexta edição do Prêmio Roche de Jornalismo reiterou a importância dessa área do jornalismo na América Latina. A premiação deixou como resultado um guia para os jornalistas de todo o continente que se dedicam a cobrir essa área e propôs novas tendências na rádio e na internet que com certeza veremos evoluir na próxima edição e que contribuirão para melhorar o acesso à saúde do público através da informação.

Jurados categoria Rádio

Ricardo Sandoval

Jornalista e editor mexicano com mais de 30 anos de experiencia. Atualmente é diretor de projetos de investigação e informes especiais em InsideClimate News, meio multiplataforma de informação ambiental premiado diversas vezes, como, por exemplo, o Prêmio Pulitzer de 2013. Ricardo pertence à diretoria de 100Reporters, ao Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ, em inglês) e preside o Fundo para o Jornalismo de Investigação (FIJ, em inglês). Foi editor na rede National Public Radio (NPR) e correspondente para a América Latina no Dallas Morning News. É coautor de La lucha en los campos: César Chávez y el Movimiento de los Trabajadores Agrícolas.

Mariana Ferrão

Jornalista brasileira graduada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Mariana é apresentadora do Bem Estar, programa de saúde líder da televisão brasileira com uma audiência de 10 milhões de telespectadores por minuto. Também fundou Saúde de Corpo e Alma, programa da Rádio Globo no qual se discute a relação entre ciência e espiritualidade. Trabalhou na Rádio Bandeirantes como editora de Tempo e apresentadora do Jornal da Band. Na Globo, teve passagens como repórter por Jornal Nacional, Jornal da Globo, Bom dia Brasil e Fantástico.

Jurados categoria Internet

Nora Bär

Jornalista científica argentina há três décadas. Atualmente é editora e colunista de Ciência e Saúde do jornal argentino La Nación, apresentadora da série Conversaciones en La Nación no canal LN+, do programa de rádio El Arcón, Ciencia, Salud y Tecnología na FM Cultura e do ciclo de “cafés científicos” da Academia Nacional de Ciencias Exactas. Membro da Academia Nacional de Periodismo e presidente da Red Argentina de Periodismo Científico. Nora foi editora da coleção ¿Qué es…? da Editorial Paidós da Argentina. Foi professora convidada em diferentes universidades e palestrante em congressos nacionais e internacionais. Também participou como jurada de tese de doutorado de comunicação da ciência e recebeu numerosos prêmios, entre eles dois Prêmios Konex.

Cilene Pereira

Jornalista brasileira com trinta anos de experiencia. Trabalhou como repórter no Jornal do Brasil, O Estado de S.Paulo, O Globo e em 1994 começou como repórter e depois virou editora da revista Istoé, a segunda revista semanal mais importante do país. Escreveu sobre saúde em mulheres e crianças, HIV e epidemias como os vírus do ebola, na África, e da dengue, no Brasil.

Assessor Médico

Juan Valentín Fernández de Gala

Formado em Medicina pela Universidad de Sevilla e especialista em Antropologia Forense pela Universidad de Granada e pela Universidad Complutense de Madrid. É professor de Biologia na escola IES Juan Lara e professor associado de História da Medicina e Enfermaria na Universidad de Cádiz. É secretário de redação da revista Panacea, atua na tradução e lexicografia médica, onde é acadêmico nesta matéria para a Real Academia de Medicina y Cirurgia de Cádiz. Como antropólogo, dedica-se ao estudo dos restos ósseos procedentes de necrópolis pré-históricas associadas a megalitos, e à época romana e medieval. Juan Valentín é autor da tese Médicos y medicina en la obra de García Márquez.

Hecho con por

Pin It on Pinterest