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Recursos do dia a dia que todo repórter de saúde pode aproveitar

agosto 09, 2022
Recursos do dia a dia que todo repórter de saúde pode aproveitar

Cobrir pautas de saúde implica conseguir um balanço saudável entre a investigação rigorosa, a atualização profissional e o cuidado permanente de nossa saúde física e mental.

Por: Aleida Rueda

É claro que a maior parte da rotina de um jornalista que cobre pautas de saúde consistirá, justamente, em fazer investigação jornalística.

Ler artigos, reportagens e guias médicas; fazer entrevistas com médicos, cientistas, pacientes ou autoridades de saúde; ir a coletivas de imprensa, checar dados e números, explicar processos, conceitos e pesquisas; buscar formas criativas de narrar, acessíveis ao público em geral, e, geralmente, estar em dia com os temas sanitários mais importantes da agenda pública são algumas das atividades inerentes ao jornalismo de saúde.

Mas, ainda que essencial, a investigação é apenas uma parte do trabalho. Conforme a carga de trabalho ou a motivação para crescer profissionalmente aumentam, surgem também novas dinâmicas que, se bem utilizadas, podem nos ajudar a organizar melhor nossas tarefas, adquirir novas ferramentas para a cobertura jornalística e evitar o esgotamento físico e mental.

Aqui vão algunas delas:

Aproveitar o Twitter

Como em muitas outras áreas, para cobrir fatos de saúde – como a emergência inesperada de alguma doença ou os anúncios urgentes de governos ou organizações internacionais – o Twitter é essencial.

Aproveitá-lo significa seguir contas de interesse em pautas de saúde, desde instituições e organizações mundiais como a OMS ou os ministérios de saúde nacionais, até porta-vozes, médicos, cientistas e líderes de opinião que analisam relatórios, explicam artigos científicos, avaliam de forma crítica alguns fatos sanitários, dão recomendações ou respondem de maneira ágil e imediata as dúvidas da população.

Uma boa forma de se manter atualizado sobre as novas pesquisas de especialistas do mundo todo é seguir as contas de revistas científicas como: @JAMA_current, The New England of Medicine, PLOS Medicine, The Lancet.

O Twitter é, neste sentido, uma fonte permanente de informação, dados e ângulos em potencial para a cobertura de saúde. Além disso, é um canal para conseguir fontes especializadas de maneira direta e contatá-las sem os obstáculos que com frequência são impostos pelas instituições.

Como aproveitar melhor o Twitter? Crie uma lista de contas confiáveis por tema, que você pode ir atualizando permanentemente para poder ter uma fotografia do que está sendo discutido sobre cada tema a todo momento.

Ir a conferências ou eventos científicos

Um dos melhores lugares para encontrar histórias jornalísticas e fontes especialistas são os eventos da comunidade científica que, com frequência, apresentam resultados de pesquisas, análises atualizadas sobre alguma pauta de saúde, perguntas interessantes que podem render uma investigação mais para frente ou discussões acaloradas que muito provavelmente não vão aparecer em um artigo científico.

Dentro da rotina de um jornalista de saúde é sempre recomendável dar uma olhada permanente nos eventos, conferências, palestras, fóruns, encontros e congressos que acontecem todos os meses para aproveitá-los e tirar conteúdo jornalístico deles. Para fazer uma cobertura eficiente dos congressos ou grandes eventos, é importante revisar os programas temáticos e conferencistas com antecipação para planejar uma cobertura estratégica, com temas, ângulos e especialistas específicos, em lugar de se deixar levar – e se perder – pela velocidade e abundância de informações.

Como tirar melhor proveito disso? Revise sites como este ou este para se manter em dia sobre os encontros científicos sobre pautas de saúde que ocorrem em casa país.

Aprender dos outros

Muito do nosso trabalho jornalístico pode ser enriquecido a partir do trabalho de outros. Isso inclui, por um lado, aproximar-se de redes de colegas ou entrar em associações profissionais que compartilham recomendações, oportunidades e ferramentas para uma cobertura melhor. Por outro lado, ler ou escutar as histórias de outros e estudar suas formas de narrar, pode nos motivar, inspirar e questionar sobre nosso próprio trabalho.

Sites como o da Association of Healthcare Journalists, The International Center for Journalists, The Open Notebook, e, espanhol, associações e meios como Salud sin Daño, Medscape ou Salud con Lupa, oferecem oportunidades, recursos, recomendações, histórias jornalísticas e iniciativas colaborativas que podem nos ajudar a fazer coberturas de saúde com mais ferramentas e melhores aliados.

Como aproveitar isso melhor? Aprender dos outros também inclui aprender, desde a escuta ativa e a empatia, das pessoas que nos rodeiam. Aprender sobre suas percepções sobre saúde e bem-estar, sobre a diversidade de desafios que enfrentam para ter acesso a serviços de saúde ou as formas em que se manifestam e transmitem as doenças.

Cobrir saúde sem se descuidar da saúde

Qualquer pessoa que se dedique ao jornalismo sabe quão fácil pode ser se descuidar da saúde para conseguir uma boa história. Dormir mal, comer de maneira pouco saudável, viajar muito ou em condições pouco higiênicas, beber álcool ou fumar em excesso, ou colocar em risco a saúde mental podem ser algumas das muitas formas de sucumbir ao lado obscuro do ofício.

Estudos já demonstraram que a cobertura de fenômenos, como a pandemia pela COVID-19, pode afetar ainda mais a saúde dos jornalistas. Este estudo se identificou, por exemplo, que 44,4% dos jornalistas entrevistados padecia de esgotamento emocional, 19% de despersonalização (quando se sente um distanciamento entre si e o entorno) e 18% sofriam de ambos.

Por isso, uma das coisas que não podem faltar na rotina diária de um jornalista de saúde é, precisamente, cuidar da saúde física e mental por meio de recursos pessoais como a inteligência emocional, a resiliência e a autoeficácia. Não há que esquecer que o trabalho jornalístico não deve ser feito às custas de nossa estabilidade emocional.

Como aproveitar mais? O autocuidado é bom, mas insuficiente. As organizações midiáticas, assim como os donos dos meios, editores ou supervisores devem propiciar condições para o cuidado da saúde física e mental de seus colaboradores. Existem estratégias pontuais que você pode fazer para assegurar seu bem estar.

Sobre o Prêmio Roche

O Prêmio Roche de Jornalismo em Saúde é uma iniciativa da Roche América Latina com a Secretaria Técnica da Fundação Gabo, que busca premiar a excelência e estimular a cobertura jornalística de qualidade sobre temas de saúde e ciência na América Latina, integrando os olhares sanitário, econômico, político, social, entre outras áreas de investigação no jornalismo.

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