#ComDados: Vaticano anuncia entrada na luta contra o movimento antivacinas

Imagem da nota de desinformação de 7 de julho.

Por: Cristina Tardáguila

Depois de meses lutando contra notícias falsas que insistem em associar as vacinas contra a COVID-19 a falsas reações colaterais e a teorias da conspiração que dizem respeito à fertilidade e ao futuro das famílias, os checadores podem finalmente comemorar.

Na última quinta-feira, 1º de julho, o Vaticano anunciou que entrará, com força, na luta contra o movimento antivacinas. O Papa e a Cúpula de São Pedro prometeram atacar “os mitos infundados e enganosos” que alimentam as dúvidas e aumentam a hesitação a vacinas. A Santa Sé também se disse disposta a trabalhar para que o acesso aos programas de imunização contra a COVID-19 seja global e integral.

A comemoração dos fact-checkers tem a ver com o tamanho do parceiro que pretende entrar na linha de frente dessa batalha contra a desinformação sobre saúde. Ter posições claras e diretas, a favor das vacinas, vindas da Praça de São Pedro pode ser uma arma poderosa contra as notícias falsas.

E há muito o que fazer.

Ao longo deste ano e meio de pandemia, pelo menos 40 checagens publicadas pela aliança #CoronaVirusFacts, que reúne mais de 90 unidades de verificação de dados em 70 países, associavam o Papa ou o Vaticano a programas de vacinação.

Em março deste ano, por exemplo, os checadores da AFP identificaram que circulava no Congo a notícia de que o Papa Francisco havia proibido os católicos de tomar as vacinas contra a COVID-19 produzidas na Europa e na América. Obviamente se tratava de uma mentira.

Em artigo publicado em francês, os verificadores explicaram que o papa não só havia sido vacinado (em janeiro), mas que também incentivava todos os fiéis a fazê-lo, independentemente do nome ou origem do fabricante. Mas não há dúvida de que o movimento anti-vacinas aproveitou esse momento.

Outras associações entre o papa e as vacinas são ainda mais polêmicas. Desde que o Vaticano publicou uma “nota sobre a moralidade do uso de algumas vacinas contra a Covid-19″, em dezembro do ano passado, checadores de Filipinas, Ucrânia e Turquia, entre outros países, tiveram que publicar artigos em que negavam que o papa havia dito que “as pessoas não vacinadas contra a COVID-19 não poderiam mais entrar no paraíso”.

É claro que a Igreja Católica apóia a luta contra a pandemia e concorda com as vacinas que vêm sendo produzidas. Ao divulgar notícias falsas como essa, o movimento anti-vacinas busca inocular dúvidas e gerar polêmica. E é contra isso que os jornalistas e os checadores de fatos têm de trabalhar.

Por isso, é importante entrar nos grupos do Facebook, WhatsApp e Telegram que reúnem pessoas que se dizem religiosas e católicas, e também desenvolver metodologias claras para saber quais teorias da conspiração e dados falsos estão se espalhando nesses espaços.

Vale a pena conhecer os meios de comunicação da Santa Sé (incluindo a agência de notícias do Vaticano), acompanhar seus perfis nas redes sociais e, talvez, buscar estabelecer um bom relacionamento com os editores responsáveis ​​por esses espaços. O objetivo a longo prazo é ter bons contatos não só para obter notas oficiais capazes de refutar certas falsidades, mas também informar o Vaticano sobre o tipo de desinformação que circula nas mais diversas partes do mundo. Juntos, somos mais fortes na luta contra notícias falsas sobre saúde.

Para levar em consideração

– Participe de grupos de Facebook, WhatsApp e Telegram que reúnem religiosos pois eles podem ser as principais fontes de desinformação sobre as vacinas COVID-19. É importante monitorá-los com atenção e cuidado.

– Já que o Vaticano se diz disposto a lutar contra as teorias da conspiração e a desinformação sobre as vacinas, é vital localizar seus canais de comunicação e acompanhar suas redes sociais.

– Busque estabelecer um bom relacionamento com fontes no Vaticano e desenvolver uma cooperação.

Sobre o Prêmio Roche

O Prêmio Roche é uma iniciativa da Roche América Latina, com a Secretaria Técnica da Fundação Gabo, que busca premiar a excelência e a cobertura jornalística de qualidade sobre saúde na região.

Para mais informação ou para tirar dúvidas sobre a nona edição do Prêmio Roche, escreva para o email: premioroche@fundaciongabo.org

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