5 características de um trabalho vencedor do Prêmio Roche

Prêmio Roche

Nas seis inscrições para o Prêmio Roche de jornalismo em saúde, 12 trabalhos latino-americanos se destacaram pela cobertura do tema na região nas categorias Rádio, Internet, Televisão e Vídeo.

A partir das discussões feitas nas jornadas de julgamento de cada edição do prêmio, surgiram os valores que distinguem um bom trabalho de jornalismo em saúde e que podem servir de guia para a realização da inscrição no Prêmio Roche de 2019.

A seguir contamos os atributos mais frequentes dos trabalhos vencedores destacados pelos jurados que trabalharam no prêmio.

Rigor científico

Mais de uma vez um vencedor do Prêmio Roche foi reconhecido por apresentar um fundamento científico sólido em uma cobertura jornalística. Para os jurados do Prêmio, cada afirmação médica dentro de uma reportagem jornalística deve ser argumentada e defendida de maneira coerente. Outra característica indispensável de um bom trabalho é o uso de fontes que contrastem a informação e que enriqueçam o debate interno da reportagem.

“Quem faz jornalismo tem uma responsabilidade imensa, que aumenta exponencialmente quando se trata do tema da saúde. Em meio às pressões, o que nunca pode ser sacrificado é o rigor”, afirma Fernanda Hernández, assessora médica da edição 2017.

Mariana Ferrão, jurada da categoria Rádio do Prêmio Roche de 2018, também destaca que o jornalismo de saúde pode salvar vidas. Por isso, a informação deve ser pesquisada, contrastada e verificada rigorosamente.

Em 2017 o jurado escolheu como vencedor da categoria Televisão e Vídeo a reportagem Alzheimer: música para recordar, publicada pelo Canal 13, do Chile. Alguns dos motivos apontados para tal decisão foi seu conteúdo científico e o cuidado com a informação médica, evitando assim o sensacionalismo e as falsas expectativas nos tratamentos retratados na reportagem.

Qualidade narrativa

É a qualidade narrativa, segundo jurados que participaram do Prêmio Roche, que faz com que uma reportagem seja uma história e não um texto de divulgação científica. É importante usar a criatividade na hora de contar a história para evitar que os conceitos técnicos da ciência, que em certas ocasiões podem ser de difícil compreensão, rompam a fluidez do texto e confundam o leitor.

Em 2016, sobre a vencedora da categoria Rádio De vacuna, abandono y otros demonios, o júri destacou o uso de recursos estilísticos para trazer a metáfora literária à linguagem radiofônica.

Igualmente em 2015, sobre Pedra no caminho, da TV Globo, do Brasil, vencedora da categoria Televisão e Vídeo, o júri afirmou que um dos pontos fortes da reportagem foi o fato de conseguir gerar proximidade com o público sem se descuidar dos argumentos científicos em um tema tão complexo como o câncer.

Histórias humanas

Para fazer com que a qualidade narrativa cative a audiência e que a comunicação da informação seja eficiente, é importante que a história inclua um componente humano que aporte um elemento emocional ao relato e um fio condutor biográfico que guie o desenvolvimento da história. Para o jurado da edição 2018, um bom trabalho não deve ser uma história de vida e muito menos um informe médico: deve, no entanto, ter um componente científico e um personagem que tenha a ver com a informação sobre a realidade reportada.

Uma das razões pelas quais em 2015 Dor em dobro foi eleita como vencedora na categoria Jornalismo Escrito, foi a grande variedade de fontes e de histórias de vida comovedoras que permitiram uma melhor compreensão do tema retratado. Dor em dobro investigou a dificuldade que enfrentam as mulheres no brasil para fazer um aborto nos casos em que este é permitido legalmente.

Apostar por temas que relacionam saúde com outras áreas

Entre os trabalhos vencedores do Prêmio Roche, alguns se destacaram por abordar um problema político, econômico ou social desde investigações sobre saúde.

Ir além dos pacientes e das doenças e mostrar o impacto do tema em como se cobre a política e a economia é fundamental para uma cobertura ideal. “Devemos convidar os jornalistas que trabalham em saúde e aqueles que estão se formando a treinarem, questionarem a si e as autoridades, a compreender, a serem capazes de se desfazerem dos preconceitos, a se transformarem em bons observadores e, o que eu considero essencial, a ter empatia”, afirmou Fernanda Hernández.

Em 2018, o júri escolheu como vencedora Huérfanos de la salud, reportagem colaborativa entre jornalistas venezuelanos de Ipys Venezuela e El Pitazo, por ser “uma produção que se destaca, que combina uma amplitude e profundidade incomuns”. Sobre o trabalho, uma série multimídia que avalia o desempenho dos serviços médicos estatais na Venezuela para garantir o direito à saúde infantil, o júri também comentou que ele conseguiu mostrar um mapa detalhado da realidade venezuelana na área da saúde infantil, sem se esquecer do âmbito pessoal através da narração de histórias pessoais bem feitas.

A vencedora da categoria Jornalismo Escrito em 2017, Recusas da FAB impedem transplantes de 153 órgãos publicada no O Globo, do Brasil, foi uma investigação que conseguiu denunciar o vazio legal que gera a perda de centenas de órgãos para transplante por falta de transporte. O júri argumentou que tomou tal decisão porque a reportagem “ao retratar e acompanhar o caso, permitiu que fossem tomadas decisões políticas que efetivamente salvaram vidas, colocando em evidencia a relevância da denúncia jornalística.”

Inovação

Durante as avaliações dos jurados ao longo dos anos, também foram feitos reconhecimentos aos trabalhos que dentro de seus formatos se atreveram a inovar, tanto ao propor novas formas de contar histórias com formato e recursos técnicos originais, como ao escolher temas que nem sempre são cobertos.

No julgamento do Prêmio Roche 2018, os jurados destacaram o papel das mídias independentes que participaram, que apostaram em fazer um jornalismo investigativo e em investir tempo e recursos em temas e formatos nos quais possivelmente as grandes mídias não dão atenção.

Ricardo Sandoval, jurado da categoria Rádio dessa edição, destacou também o uso de diversos recursos tecnológicos e qualificou como exemplares as técnicas utilizadas para conseguir atrair a atenção do ouvinte pelo vencedor dessa categoria: Doctor: ¿Esto es normal?, uma reportagem coproduzida entre Cerosetenta e Radio Ambulante que conta a história das vítimas da “rota negra” da cirurgia plástica estética em Medellín e que expõe os problemas de acesso à saúde e à instancias judiciais das vítimas de procedimentos ilegais.

Em 2014 o júri escolheu Pinchanalgas al garete como vencedora da categoria Internet pela sua “originalidade jornalística”, por visibilizar um tema que havia recebido pouca cobertura por parte dos meios naquele momento – o uso de biopolímeros em procedimentos estéticos -, pelo uso de novas formas de narração e pela aplicação de ferramentas para oferecer uma estrutura inovadora e atrativa ao leitor.

Prêmio Roche de Jornalismo em Saúde

O Prêmio Roche de Jornalismo em Saúde é uma iniciativa da Roche América Latina e da Secretaria Técnica da FNPI – Fundação Novo Jornalismo Iberoamericano de Gabriel García Márquez, que procura premiar a excelência e fomentar o trabalho jornalístico de qualidade na cobertura de temas da saúde na América Latina.

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