O jornalismo de soluções a serviço dos temas de saúde na América Latina

Adriana Amado, assessora de menção honrosa em Jornalismo de Soluções 2020.

Para Adriana Amado, consultora para menção honrosa em jornalismo de soluções entregue na oitava edição do Prêmio Roche, a premiação marca um caminho para uma melhora coletiva da informação pública na América Latina. Este enfoque do jornalismo foi dado pela primeira vez no prêmio, e, depois da avaliação dos trabalhos inscritos, ficou evidente a capacidade dos jornalistas da região de não só informar ou denunciar, mas também de orientar os cidadãos.

Segundo a consultora para esta menção honrosa, divulgadora da comunicação pública e diretora da ONG Infociudadana, Adriana Amado, o público está abandonando as notícias “e uma das razões é o conteúdo que não traz esperança”. Mas segundo a visão da especialista, o jornalismo de soluções é uma proposta que “não evita falar do problema, mas dá um contexto no qual as pessoas sentem que há uma saída o que eles podem contribuir com uma solução”, o que se aplica especialmente para temas de saúde, que costumam ter certa complexidade ou cuja informação pode ser desanimadora. Por isso, ela considera valiosa a inclusão dessa forma de fazer jornalismo no Prêmio Roche.

“A América Latina tem atraso estruturais em muitas áreas e também naturaliza certas condições, como a corrupção, o estado dos serviços de saúde, os problemas sociais”, disse Adriana Amado, para depois agregar que, levando em conta esses antecedentes, “o princípio de esta forma de fazer jornalismo é acompanhar o problema apresentando alguma solução possível, ou seja, não ficar apenas na denúncia do problema – que é um tipo de jornalismo no qual estamos muito acostumados -, mas também dar uma orientação adicional.

Cinco aspectos necessários para se fazer jornalismo de soluções

Adriana Amado, consultora para menção honrosa em jornalismo de soluções do Prêmio Roche 2020, indicou que essa forma de jornalismo obriga a dar um novo olhar ao ofício, a sair do tradicional e ir além das fontes oficiais e habituais.

“O jornalismo de soluções nos obriga a comparar, a buscar dados e outras histórias, porque na nossa região raramente uma história está coberta pela primeira vez”, expressou a especialista, mencionando o grande número de lugares comuns existentes na América Latina em relação a problemas sociais, mentais, econômicos e ambientais que não são exclusivos de apenas um país.

A fim de motivar uma apropriação deste enfoque do jornalismo na região, Adriana Amado falou sobre 5 aspectos necessários para se levar em conta na hora de se fazer jornalismo de soluções:

1. Expandir as fontes. A informação não está apenas nas fontes oficiais, na história de vida ou nas entrevistas. São meios valiosos, mas que não esgotam todas as possibilidades de obtenção de informações.

2. Entender a cidadania do século XXI como parte de uma humanidade, além das fronteiras nacionais.

3. O trabalho documental é tão importante como o trabalho do cronista, mas é importante transformá-lo, processá-lo e convertê-lo em algo mais que o “dado puro” e que seja informação com um valor agregado, para que o público prefira consultar esta informação.

4. Os jornalistas devem dar esperança. Entender que a humanidade é a história das penúrias e das conquistas, e neste sentido o jornalismo tem o papel de recuperar o lugar de relevância social que costumava ter.

5. Gerar uma nova perspectiva tendo como objetivo final iluminar, trazer ideias e se converter em fonte de consulta imprescindível ao se enfocar na sociedade e suas necessidades e nas soluções criativas que foram dadas aos problemas.

Construindo irmandades e trabalho colaborativo

A consultora afirmou que a temática de acesso à saúde, uma das principais no Prêmio Roche, é uma das ideias para trabalhar desde o jornalismo de soluções, já que é um dos pontos comuns e mais complicados da América Latina.

Ela também afirmou que fazer uma cobertura de acesso à saúde desde o enfoque de soluções é uma forma de buscar a fundo e inclusive de conhecer mais sobre a região, para encontrar essas saídas que talvez em outros lugares já foram identificadas ou propostas para o mesmo tema, porque, reiterou, vivemos em cada país os mesmos problemas.

“Essas grandes ideias implementadas em pequenos municípios perdidos na nossa geografia podem ser inspiradoras para outros se as incluímos na nossa informação. Além disso, ao fazer uso desses recursos, damos uma solução, mas também um contraste que as vezes é muito mais denúncia que a mera denúncia feita com sensacionalismo”, disse Adriana Amado.

“Também nos constrói outro tipo de irmandade. Conecto uma pessoa de um país com outro e começo a conectar jornalistas, porque parte da ideia do jornalismo de soluções é que trabalhemos colaborativamente, em rede, que se possam facilitar o acesso às fontes e entrevistas. É uma forma de expandir o trabalho dos nossos jornalistas além disso gerar novas alianças, o que era algo impensável”, concluiu a jornalista.

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