Relatoria Prêmio Roche de Jornalismo em Saúde – Categoria Televisão e Vídeo 2015

Relatora: Jessica Paola Ponce Aguirre

Jurados:  América Valenzuela (Espanha)

Licenciada em Ciências Químicas, com um mestrado em Jornalismo. Desde o principio da sua carreira profissional, se dedicou a tratar temas de ciência e saúde. Além disso, possui ampla experiência em todos os formatos jornalísticos: rádio televisão, impressos, web e redes sociais.

Conta com um programa semanal na Radio 5 de RNE chamado ‘Ciencia al Cubo’. Na televisão, intervém na ‘Órbita Laika’ um late show semanal sobre humor e ciência na La 2; e no programa de meio ambiente e meteorologia ‘Aquí La tierra’ em La 1. Colabora na ‘La Noche en 24 horas’ do Canal 24 horas, comentando assuntos de atualidade científica e no programa ‘Cámara Abierta 2.0’.

Na web de RTVE escreve sobre ciência da vida cotidiana na sessão ‘El porqué de la ciencia’. Escreve também reportagens e o blog ‘Cóctel de Ciencias’ para a revista QUO. Além disso, trabalhou também nos informativos Telecinco e no diário El Mundo. Foi ganhadora do Prêmio FECYT de Comunicação Científica.

João Alegria (Brasil)

Estudou História e Educação, possui um doutorado em especialização em Mídia. Trabalha como Vice-diretor do Canal Futura que se trata de um canal de televisão educativa com transmissão para todo o Brasil, além de trabalhar como professor na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro PUC-Rio.

É escritor, com publicações acadêmicas e de ficção infantil-juvenil e também criador de projetos culturais, arte e tecnologia onde os jovens são o seu foco principal.

Assessor Médico:

Élmer Huerta (Peru)

O Dr. Huerta é o fundador e diretor do Preventório do Câncer no Instituto de Câncer del MedStar Washington Hospital Center, na cidade de Washington DC. Nesse centro, além de atender aos seus pacientes, é também pesquisador do câncer e educador da comunidade Hispana nos Estados Unidos e na América Latina.

Formado em medicina na Universidade Nacional Mayor de San Marcos do Perú, se especializou em clínica médica e oncologia no Instituto Nacional de Doenças Neoplásicas do Peru, obteve seu Mestrado em Saúde Pública na Escola de Saúde Pública da Universidade de Johns Hopkins em Baltimore, e obteve a sua especialização em prevenção e controle do câncer no Instituto Nacional do Câncer, que faz parte dos Institutos Nacionais da Saúde dos Estados Unidos.

No ano de 1994 fundou o Preventório do Câncer no Instituto do Câncer do Hospital Central de Washington. Este centro de atenção médica preventiva foi considerado pela Secretaria de Saúde dos Estados Unidos como sendo um modelo de atenção à saúde pública futurista, pelo fato de focar na atenção de pessoas aparentemente saudáveis para a detecção precoce e prevenção de doenças crônicas. Sob o seu lema “Uma clínica só para pessoas aparentemente saudáveis” o Preventório já atendeu a mais de 32,000 pessoas desde a sua criação onde 85% das pessoas atendidas não apresentavam sintoma algum.

Desde 2007 participa diariamente nos programas de saúde de RPP Notícias do Peru e dirige o programa “Cuidando tu Salud” que vai ao ar todos os sábados na mesma emissora, um programa considerado como sendo o único programa radial de saúde pública no Peru. Desde 2007 escreve regularmente o blog “Cuida tu Salud” na versão eletrônica de El Comercio do Peru e é colunista semanal na página de Ciências e Medicina do mesmo diário.

O Dr. Huerta foi eleito pela Revista Hispanic Business, como um dos  100 hispanos mais Influentes dos Estados Unidos no ano 2008.

Introdução

Para iniciar a segunda jornada de seleção do Prêmio Roche em Saúde na Categoria Televisão e Vídeo, a fundação Gabriel García Márquez para o Novo Jornalismo Ibero-americano (FNPI) destacou a importância que há nas reflexões dos jurados encarregados da seleção, levando em consideração que estas são um precioso aporte para o crescimento do Prêmio.

Em nome da FNPI, José Luis Novoa, Diretor de Programas, agradeceu a América Valenzuela e a João Alegría por sua participação nesta etapa definitiva; Fez um repasso sobre as normas e bases do Prêmio que homenageia aos melhores trabalhos no que diz respeito a inovação, biotecnologia, acesso a tratamentos médicos, regulação e oncologia e lembrou que um dos objetivos mais importantes deste último processo é que mediante a eleição dos melhores trabalhos, que seja considerável que estes sirvam como referência de contexto aos jornalistas latino-americanos que trabalham na área da saúde.

O melhor dos Melhores

De: Quando o Único Remédio é a Maconha, Valenzuela opinou de que fazia falta informação a respeito dos ensaios clínicos que se realizaram para saber pontualmente quais são os efeitos que causam o uso do Canabiol, derivado da maconha nos pacientes, e resgatou os relatos que dão corpo a peça de pais falando sobre seus filhos doentes, o que abrange um interesse geral pelo tema.

O seguinte trabalho avaliado foi  Asbesto: ¿fibra mortal? Do canal RCN (Colômbia), que inicialmente obteve bons comentários do Júri e destacou a investigação a respeito do uso legal do asbesto e as doenças que estas fibras ocasionam.

Por sua vez, Larón, la lucha por crecer, foi destacado, como sendo um dos trabalhos mais inovadores, devido ao fato de tratar sobre um tema desconhecido e que é de interesse social, que expõe um problema global: a realidade dos pacientes com doenças raras.

Além disso, os jurados encontraram em Larón imagens e relatos de grande valor, e destacaram uma “montagem ágil e fluída da peça na qual o repórter não possui o protagonismo”.

Avançando na revisão e chegando a vez de Pedra no caminho da TV Globo (Brasil), um trabalho bem produzido, segundo a opinião do Júri, dirigido por um médico e que possui como uma das suas maiores conquistas a proximidade de atingir ao público sem descuidar dos argumentos científicos de um tema tão complexo como é o tema do câncer.

“Alcança o equilíbrio entre a denúncia e a discussão sobre os problemas de saúde pública, deixa ver qual é o processo que atravessam os pacientes portadores de câncer, de uma forma educativa e bem elaborada”, asseguraram os jurados, agregando o valor adicional que lhe imprimem os relatos francos, respeitosos e esperançados.

Prêmio ao Rigor Científico

O Júri, conformado por João Alegría, América Valenzuela e o assessor médico Élmer Huerta, esteve de acordo em que o vencedor do Prêmio Roche de Jornalismo em Saúde fosse Pedra no caminho da TV Globo (Brasil)  e que os dois finalistas fossem Larón, la lucha por crecer (Equador) e Quando o Único Remédio é a Maconha (Brasil), pelas razões avaliadas previamente e que posicionavam a estas três peças como sendo as melhores dentro do grupo que chegou até o final da seleção.

De Pedra no caminho, o Júri destacou a forma na qual se aborda o tema do câncer de mama desde diversos pontos de vista, necessários e complementários, sem que este seja fatalista e aponta como uma conquista a desmitificação do câncer como uma doença que sempre esteve associada a morte.

João e América mencionaram que o trabalho da TV Globo, dá uma visão lúcida, informada e didática sobre a doença, acompanhada de muitos dados corretos sobre a mesma. Entretanto, gera discussão diante do papel dos sistemas de saúde pública e privada, faz estacionamentos e denúncia, sem deixar atrás o que está operando de maneira correta.

O caráter universal do trabalho também somou pontos ao seu favor, levando em conta de que o câncer de mama é o mais frequente nas mulheres, de acordo com o que explicou o Doutor Élmer.

Sobre a produção, os jurados consideraram que é um sucesso que esta tenha alcançado aceder aos espaços mais importantes pelos quais se enfrenta uma pessoa que se encontra realizando tratamento contra o câncer. O consultório médico, as salas de exames e a sala de cirurgia, preparam as pessoas para viver uma situação similar. O condutor do conteúdo é outro diferencial que dá muita solidez ao trabalho, uma decisão correta.

Larón, la lucha por crecer foi eleito como sendo um dos trabalhos finalistas devido ao seu valor universal, apesar de abordar um tema desconhecido. A entrega de Ecuavisa é de grande interesse científico, social e evidência a desproteção dos pacientes com doenças órfãs; tem a qualidade de tirar do anonimato um tema e colocá-lo em evidência.

A respeito da narrativa, sua linguagem simples permite que os personagens cheguem até o público, sem a necessidade de que intervenha o repórter ou de que alguém fale por eles. Outro dos aspectos positivos deste trabalho é que identifica pacientes de diferentes idades com o qual passa uma mensagem sobre a importância que existe em que estas pessoas tenham acesso aos tratamentos médicos cabíveis desde cedo.

Como finalista, Quando o Único Remédio é a Maconha, destaca um tema de controvérsias e ao mesmo tempo atual como é o tema do uso medicinal da maconha, através de uma pesquisa baseada na ciência e é abordado com muita responsabilidade para que seja compreendido pela sociedade.

De acordo com o Júri, a investigação e a produção se destacam através de um amplo número de personagens; possui uma boa edição e está corretamente complementada com gráficos que facilitam a compreensão do conteúdo, bem como a devida distinção dos diferentes componentes da maconha.

Carente de observações científicas negativas, Quando o Único Remédio é a Maconha, constitui um elemento de denuncia importante, e, ao mesmo tempo em que mostra a frustração dos pais das crianças doentes, ao terem que tomar a decisão de aplicar uma substância que gera rejeição e estigmatiza aos seus filhos.

Experiência enriquecedora e educativa

Depois do processo de seleção, os jurados falaram sobre suas experiências. João Alegría afirmou que ao ter a oportunidade de conhecer os trabalhos que são realizados em outros países, em outras localidades, proporciona um panorama dos interesses que despertam os temas de saúde em toda a América Latina.

“Se você trabalha dirigindo a redação de um canal de televisão isso é muito importante porque mais se aprende do que se julga, mais se conhece. Foi uma experiência de aprendizagem dos colegas, de outros profissionais e do material ao qual tivemos acesso”., disse Alegría.

Sobre os Prêmios, o especialista destacou que os temas de saúde adquiram cada vez uma maior importância para o jornalismo da América Latina e mencionou os problemas de saúde que sofrem a nossa população, muitas vezes porque está desinformada e porque não se trabalha em projetos de prevenção.

Para fazer um bom jornalismo

Algumas das recomendações de João Alegría para conseguir material jornalístico de qualidade em torno aos temas de saúde partiram do compromisso dos mesmos comunicadores.

“Em Jornalismo em Saúde, tudo é mais complexo; por um lado é necessário abordar temas de atualidade como em qualquer outro trabalho e fazê-lo de maneira responsável, estudando, investigando, pesquisando, identificando histórias diferentes e importantes, falando com as pessoas certas. Devemos ser extremamente cuidadosos com a informação que divulgamos porque disso poderia depender a vida das pessoas, uma informação errônea poderia matar ou complicar os problemas de saúde de alguém. Por isso, sempre há que apoiar-se nos especialistas”, concluiu Alegría.

Para finalizar, o jornalista brasileiro disse que sem dúvida, os Prêmios Roche comunicam uma grande diversidade narrativa, que se pode observar que a produção das peças é muito distinta e isso é importante. “O jornalismo em saúde tem muita coisa para melhorar no que diz respeito a pesquisas e investigações, a seriedade do conteúdo e a forma em que se conta uma boa história, isto é muito importante; fazer uma boa história é difícil, mas se os jornalistas dedicam tempo a isso, eles podem conseguir”.

América Valenzuela coincidiu com o seu colega em que a experiência de compartilhar, revisar, avaliar os trabalhos de pessoas com as que se divide a profissão jornalística, foi o mais enriquecedor.

“Acho que o jornalismo de saúde é muito importante, que deve ser especialmente cuidadoso porque toca o coração do cidadão, que deve ser universal e deve ser tratado com rigor e cuidado sem que deixe de ser didático. Estes tipos de prêmios são fundamentais para que a população seja informada de maneira adequada, porque uma população bem informada na área da saúde é mais saudável e saberá prevenir de uma melhor forma as doenças”, afirmou América.

Informação rigorosa

A diversidade dos trabalhos inscritos foi a primeira coisa que destacou Valenzuela, além do “toque pessoal de cada um deles”. Conhecer como se trabalha em outros países foi muito interessante para a comunicadora, que agregou que todas as peças que chegaram a última etapa tinham seu mérito.

“Um bom trabalho de Jornalismo em saúde deve possuir rigor, ser didático e tratar com muito cuidado as pessoas afetadas, sempre pensando em não criar falsas esperanças e também tratando com delicadeza os relatos que no fim das contas são muito importantes. A informação científica deve ser levada mais em conta, deve ser mais rigorosa; não extremadamente profunda mas, que não passe desapercebida; deve se apoiar em recursos gráficos para que as pessoas recebam a mensagem adequada”, concluiu América.

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